terça-feira, 22 de setembro de 2015

Marli, Música, Mistério

Existem variados estilos musicais, e mais variados gostos ainda, já que uma pessoa sozinha, pode gostar de inúmeros estilos.
Gosto não se discute, porém estilo, sim.
E Marli é um fenômeno da música que deve ser discutido.
Sua mistura musical, nos leva em uma viagem de diversas sensações.
Eu mesmo, ri, fiquei com raiva, tive pena, achei ridículo, depois achei visionário, e cheguei a uma conclusão que se resume em uma frase bem simples:
O que é isso?
Para ser sincero, eu precisaria conversar pessoalmente com ela, para conseguir ter noção se ela realmente estava tentando fazer música, ou se estava somente avacalhando ( isso mesmo, avacalhando ), ou se ela na verdade era uma criação de alguns malucos que pegaram a coitada e introduziram sons e efeitos e depois jogaram na Internet para brincar e acabaram criando essa criatura emblemática.
Como eu não tive tempo de tentar falar com ela pessoalmente, pois estava com um jogo novo de X-Box, deixei a cargo de alguns especialistas em música avaliarem o fenômeno Marli, e reproduzo aqui suas opiniões.
Deixo claro que as opiniões deles não refletem as opiniões do BLOG, mesmo porque minha opinião já dei lá em cima, e muito menos tem cunho científico ( e isso deve bem ser claro até mesmo para o leitor mais desatento ).

1 - Itzhak Corr ( violinista )
O som é irritante, não entendo metade das coisas cantadas. Ignoro o "por quê" de insistirem em colocar no mercado este tipo de coisa que irá destruir toda uma cultura.

2 - Ludwig von Leopold ( maestro, regente )
Adoraria trabalhar com ela, temos um diamante que deveria ser lapidado. Acredito que entrará para a história da música. Está anos à frente de seu tempo.

3 - Martha Gould ( pianista )
Chorei muito, senti toda a emoção contida em suas letras. O som é muito pesado para mim, mas é uma tendência moderna as músicas eletrônicas. Se toda a música brasileira for assim, quero me mudar para lá.

4 - Rowenna Schurleman ( harpista )
Desafinada, sem ritmo, sem noção nenhuma do que está fazendo. A sua música não possui alma. É um amontoado de barulhos de computador, e uma voz estragada por programas elétricos. Me ofende virem até músicos renomados para falar sobre isso. Querem acabar com a música, mas não deixaremos. Nosso legado vai além disso.

5 - Willie "Cat" Bobstar ( cantor country )
Preciso trabalhar com ela. Acredito que faríamos o que Elvis ( Elvis Presley ) e Aretha ( Aretha Franklin ) nunca fizeram. Já imaginou? Já vejo as intermináveis filas em frente as gravadoras, para comprar nosso primeiro Long Play ( disco de vinil ).

6 - B. B. Coleman ( saxofonista )
Não sei bem o que é isso. Ela deve ter tido muitos problemas na sua vida para fazer algo tão triste. Sua música mostra um total descontrole emocional. Muitas pessoas tentam passar seu sofrimento, suas desilusões para a música. As vezes o sofrimento é tão grande, que deixa a própria música sofrível.
Bom, é isso.
Se você quiser tentar entender o que é Marli, procure na Internet.
Eu mesmo já desisti, de entender a Marli, e de jogar aquele jogo do X-box, porque era pirata e me baniram do modo on-line.
Vida que segue...

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A Tártaruga, O Escorpião e o Sábio

Debaixo de uma árvore na beira de um rio, um velho sábio estava se escondendo do forte sol que lhe chegava desde os céus.
Uma velha Tartaruga se aproximou e observando o rio, iniciou o seu procedimento para tomar coragem de atravessa-lo.
O sábio notou também a chegada de um Escorpião com ares de pertencer a família dos velhacos de grande quilate.
- Bom dia, senhora Tartaruga. - disse o Escorpião.
- Oh, olá senhor Escorpião. - respondeu a Tartaruga lentamente dando um passo para longe do venenoso companheiro de conversa.
- Por um acaso, a senhora iria atravessar este rio caudaloso?
- Sim, eu tenho uns parentes a visitar lá do outro lado.
- Minha cara amiga, eu lhe agradeceria grandemente se pudesses me levar de carona ao outro lado. Sabe como é, nós escorpiões somos péssimos nadadores.
A Tartaruga muito cordial olhando para o sorriso ingênuo do escorpião concordou em prestar este favor ao peçonhento camarada.
Neste momento o sábio se levantou e foi até eles.
- Desculpe, nobre Tartaruga, mas eu lhe aconselho a não levar este Escorpião nas costas até o outro lado do rio. Este lhe picaria o pescoço e lhe mataria.
O Escorpião muito estupefato olhou o velho sábio, e muito prontamente buscou se defender.
- Ora, nobre senhor, se eu isto o fizer, a Tartaruga morrerá, sendo assim, morreria eu também, pois me afogaria. Portanto não há o mínimo risco de eu praticar tamanho disparate.
- Ora, senhor Escorpião. Não me tomes por incauto, sei bem que você praticaria ato tão ordinário sob a desculpa de ser esta a sua natureza.
O Escorpião com lágrimas nos olhos não cria que um sábio pudesse dirigir a ele tal imensa duvida.
- Escute, senhor. Sou um escorpião muito nobre, de família muito tradicional nestas paragens. Nunca nenhum escorpião da minha família usou de forma nociva ou matreira nosso veneno. Apenas em busca de nosso sustento usamos tal artifício.
- Oras, Escorpião de uma figa. Como pensas que poderá enganar um sábio como eu?
A Tartaruga impaciente, visto que já caia a noite, resolveu a pendenga.
- Ora, suba ai nas minhas costas, Escorpião. Se você me ferir com essa sua arma letal, como bem disse o sábio, eu me deixo morrer no meio do rio, e você poderá atravessar outro rio na companhia de Caronte.
O Escorpião subiu no casco da Tartaruga que entrou na água o mais rápido que pode, mais muito lentamente, já podemos lhe dizer.
O sábio contrafeito pegou suas coisas e foi embora.
Quando chegaram ao outro lado do rio, são e salvos, porém, molhados, o Escorpião e a Tartaruga resolveram recolher a súcia.
- Ora, veja você, dona Tartaruga. Como pode se denominar sábio um homem destes, que usa sua sabedoria para plantar discórdia.
- Qual... Não vê você que esses humanos são muito pouco sábios?
E se foram cada qual no seu caminho, uns mais sábios, outros menos...


O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más.
Mateus 12:35

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Os Meninos, A Borboleta e o Sábio

Me disseram um dia desses que por estas paragens moravam dois garotos muito arteiros.
Venâncio e o Palhano.
Os dois viviam levando bronca na escola, na rua, em casa, e até onde não apareciam, levavam a culpa por algum mal-feito.
Certo dia a professora, que desmentindo as histórias de cidade pequena, não era bonita nem virtuosa, mas era feia e bruta no trato com as crianças, resolveu soltar o verbo em cima dos dois meninos:
- Se vocês dois continuarem assim, nunca serão nem sábios nem famosos.
Venâncio olhou Palhano e Palhano olhou Venâncio.
- Ora, professora... Não existe neste pedaço de chão debaixo deste céu uma pessoa mais sabida que o meu amigo, o Palhano.
Palhano ficou todo cheio de si, e concordou com o amigo.
Mas Alice, que era a mais doce das alunas e a mais esperta também, tratou de tirar a alegria dos meninos.
- Professora, nem Venâncio nem Palhano, são os mas sábios desse pedaço de chão debaixo desse céu.
Raivosos os meninos queriam saber de onde Alice havia tirado aquela ideia sem pé, cabeça ou rabo.
- Lá no alto da montanha, onde tem neve o ano inteiro, mora um velho sábio. Ele sabe tudo que é sabido pelo homem. Não existe no mundo uma pergunta que ele não conheça a resposta.
- Pois, bem. - respondeu Palhano - Pois eu vou subir nesta montanha e se ele não souber a resposta da pergunta, provo que sou mais sábio do que ele.
Terminada a aula, Venâncio e Palhano começaram a subir a montanha. Mas não sabiam que pergunta fariam ao velho sábio.
Foi então que Palhano viu uma borboleta, e mais que rápido prendeu a coitada entre as mãos.
- O que foi, Palhano?
- Ora, Venâncio. Vou levar esta borboleta escondida nas mãos atrás das costas. Quando chegar na casa do sábio vou perguntar: a borboleta esta viva ou morta? Se ele responder morta, eu a solto, e ele erra. Se ele disser viva, eu esmago a borboleta nas mãos e ele erra.
- Mas então não há resposta certa para esta pergunta e o sábio não será mais sábio.
- Então eu provo que sou o mais sábio neste pedaço de chão debaixo deste céu.
E foram subindo a montanha.
Quando chegaram na casa do velho sábio, ele os esperava com um chá quente para vencer o frio da neve.
Os meninos ficaram assombrados.
- Como o senhor sabia que nós estávamos chegando?
- Ora menino, tome seu chá e não queira saber o que eu sei. Só sei que você não sabe que é falta de sabedoria andar pela neve sem casaco.
Os meninos agora sabiam o que antes não sabiam.
- Mas o que querem afinal, dois meninos que quase nada sabem?
Palhano então falou:
- Me disseram que o senhor é o homem mais sábio desse pedaço de chão debaixo desse céu.
- Huhum. - resmungou o sábio.
- Então me responda se souber, eu tenho nas mãos uma borboleta. Ela está viva ou está morta?
O sábio olhou bem nos olhos do menino, serviu mais chá e respondeu com um sorriso.
- Ora, menino, a resposta está em suas mãos, basta você escolher qual você quer.
O menino surpreso soltou a borboleta que saiu voando dali, fugindo da neve e voltando para o vale ensolarado.
Depois disso, Venâncio e Palhano, sempre que possível voltavam a montanha para aprender tudo que podiam saber sobre o que se poderia saber.
Alice?
Alice casou com Venâncio, que no assunto de amor, era mais sabido que Palhano...

terça-feira, 4 de agosto de 2015

O Fazendeiro, Seu Filho, o Burro, e os Conselheiros da Estrada

Contar de ouvir contar, já ouvi de tudo um pouco...
Dizem por aí ( e quem sou para discordar ), que esta fábula é de Esopo.
Me contaram mais ou menos assim.
Mais que um pouco para menos que um pouco para mais, pois o mais fui eu que não deixei de menos.
O que sobrar ou faltar se deve a mim.

Certa feita, um fazendeiro precisou ir até a cidade para fazer umas compras de umas coisa que lhe faltavam.
Se não me mentem, sementes.
Para sua mãe já bem velhinha, um carretel de linha.
Para sua esposa magricela, uma panela.
Para a filha perneta, uma caneta.
E para o filho...
Bem para o filho, sobrou ir com ele.
Sobrou também para o burro, que haveria de carregar as compras de volta à fazenda.
Só de imaginar ter de carregar peso, o burro emburrado, ficou todo cismado.
Mas não teve escolha o coitado, foi amarrado e levado.
Na estrada porém, o pai, o filho e o burro logo encontraram uma senhora idosa que muito apegada aos netos sacudiu o punho para o fazendeiro e foi logo soltando:
- Como pode uma criança ser obrigada a caminhar, sendo que tens ai a mão um burro forte que ele bem poderia montar? Se o filho está cansado, culpa do pai desnaturado. -  se foi.
O pai, olhou o filho, e lhe ordenou:
- Monte no burro, filho. Não quero que me acusem de desnaturado por nada neste mundo.
E foram assim...
O pai, o burro, e o filho montado no burro.
Mais em frente cruzaram outra senhora na estrada. Esta vinha com um povo do colégio. Lá era professora, e foi logo ensinando sem ser perguntada. Mas era esperta a danada...
- Veja você. Pois fosse no meu tempo, um filho não faria assim ao pai. Mas os tempos modernos são assim. Não foram feitos para mim. No meu tempo o mais idoso ia montado e a pé ia o filho do lado.
O filho, olhou o pai e pediu:
- Pai, vai montado o senhor. Eu vou do lado caminhando. Pois se não quer ser desnaturado, não quero ser chamado mal-educado.
O pai montou, o filho foi do lado.
Mas não é que a estrada era longa, e muitas pessoas iam por ela?
Mais a frente, encontraram outro bocado de gente.
Duas freiras bem intencionadas, mas que ficaram muito transtornadas.
A mais velha disse a mais nova, ou a mais nova a mais velha, quem me contou não soube afirmar com certeza:
- Que pai mais cruel, donde já se viu ir tranquilo a montar, enquanto vê seu filho caminhar? Que tipo de pai é esse que não pensa no filho? Não sei o que mais Deus pode fazer por este mundo.
O pai olhou o filho, e lhe disse:
- Monta na garupa, meu filho. Assim, agradamos a todos e não seremos desnaturados, mal-educados e nem pecadores diante de Deus.
E montaram o dois no burro.
Mas nada termina, enquanto não chega ao final.
E enquanto não se chegava a cidade, mais pessoas se cruzavam pela estrada.
E dos jovens formandos vindos da capital, com diploma e chapel, viram pai e filho, e logo foram colocando seus estudos em prática. Um bacharel em direito o outro não menos nem mais.
- Ora veja. Como podem maltratar assim um animal? Num sol como esse obrigar o bicho caminhar e carregar duas pessoas? Não seria exagero prender os dois por maus-tratos ao animal.
- Fosse na capital e houvesse lei, estariam os dois na cadeia. Deveriam carregar o burro nas costas para ver se é bom.
- Mas também, que podemos esperar desta gente desnaturada? Com certeza foi mal-educada. Por isso cometem tal pecado contra Deus, e a natureza.
Pai e filho, desmontaram, pegaram o burro e foram para a cidade carregando o bicho nas costas.
Não queriam ser desnaturados, afinal tinham tido boa educação e eram tementes a Deus.
Quando entraram na cidade foram por todos recebidos.
Gargalhadas e aplausos. Só podiam ser de circo, afinal, carregar daquele jeito um animal?
Ou eram loucos ou eram ambos burros por igual.
Até mesmo o prefeito aproveitou e pediu mais votos, porque fosse eleito outra vez, haveria de ter muito mais espetáculos e circos na cidade.
O pai e o filho, compraram suas coisas e resolveram largar o burro. Pois este lhes causou muitos problemas.
Foram para casa, sem burro, para não ter problema com nada.
Mas e o burro?
Quem me contou, contou e jurou, que o burro concorreu a prefeitura.
E venceu.
Pois este aprendeu muito com o homem.
Principalmente a não dar ouvidos ao que o homem tem pra dizer.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha

Sempre que posso, procuro ler um bom livro.
E quando não posso leio os ruins mesmo.
Depois de um acalorado debate com alguns de meus amigos que também são amantes da literatura, sobre Dom Casmurro, onde alguns acusaram Capitu de ser leviana enquanto outros ( dentre eles, eu mesmo ) acreditavam ser Bentinho na verdade um maluco ao crer que ela o tivesse traído, a discussão mudou de rumo.
Quando menos nos demos conta estávamos debatendo se Dom Casmurro podia ou não ser considerado uma das maiores obras da literatura mundial de todos os tempos.
Deixo bem claro que na minha opinião, sim. E qualquer comentário contrário se deve unicamente ao velho preconceito dos próprios brasileiros quanto aos livros escritos por aqui. Ainda se vive sobre aquela lenda de que os estrangeiros são melhores.
Logo passamos a discutir então: qual foi a maior obra da história? Qual o livro marcou época, e que deveria ser lido por todas as pessoas do planeta?
Mesmo sendo eu cristão, prontamente excluí a Bíblia desta discussão, por não considerar que ela fosse uma obra humana. Portanto nenhum de nossos livros poderia ser comparado a um que foi escrito por DEUS.
E já digo que se você não é cristão e não acredita em DEUS, sua opinião em nada mudará nosso debate que já acabou, pois como pode ver neste momento, você está lendo o que eu postei dias depois.
Mas voltando ao assunto, várias obras foram surgindo, desde Harry Potter, o simpático aluno de magia, até ao detetive bigodudo Poirot de Agatha Christie.
Passamos pelos vampiros de Stephenie Meyer e os orcs e elfos de J. R. Tolkien.
Depois, foram surgindo outros títulos como Os Lusíadas de Camões, O Pequeno Príncipe ( Saint-Exupéry ), A Arte da Guerra ( Sun Tzu ), Guerra e Paz ( Tolstoi ).
Lembramos da temível baleia branca de Herman Melville ( Moby Dick ) e seu duelo mortal contra o capitão Ahab.
Viajamos no tempo com H. G. Wells em sua A Máquina do Tempo e O Homem Invisível.
Fizemos trabalhos forçados ao lado de Jean Valjean, por causa de um mísero pão roubado ( Os Miseráveis, Victor Hugo ).
Desmascaramos o Homem da Máscara de Ferro de Alexandre Dumas, e viajamos 20 Mil Léguas Submarinas com Júlio Verne.
Nos embriagamos em Shakespeare, pois este escreveu tantos que seria crueldade citar algum e correr o risco de ser injusto com outro. Que autor este inglesinho...
De tanto citar livros, lembrar personagens e se apaixonar por donzelas, feiticeiras, rainhas e bruxas, acabamos ficando meio loucos. Então chegamos a uma conclusão ( que não foi unanimidade, sejamos justos ).
O escolhido foi Dom Quixote de Miguel de Cervantes!
Este livro, nos faz viajar até um tempo antigo, onde a cavalaria andante era a moda da vez. Ao menos na imaginação deste nobre fidalgo da região da Mancha ( Espanha ).
Vale lembrar que de tanto ler, foi que ele acabou assim. Influenciado dentre outras obras pelo não menos maravilhoso Amadís de Gaula ( Garcí Rodriguez de Montalvo ), ele resolveu largar a fortuna e munido de uma lança, uma espada e uma armadura cavalheiresca, saiu pelo mundo montado em seu cavalo Rocinante.
Buscava renome para poder enfim conquistar o coração da formosa Dulcineia Del Toboso ( que sequer existia ).
Mas não existe cavaleiro sem um leal escudeiro, e Dom Quixote tinha Sancho Pança.
Mais que escudeiro, amigo de loucuras, e aventuras.
Moinhos que se tornavam gigantes, ilhas, cavaleiros enfeitiçados, donzelas em perigo, dragões, batalhas em alto mar, rufiões, príncipes, monges e feiticeiros, heróis e vilões...
Tudo isso, e ainda mais, tamanha a grandeza desta obra.
Não há como não rir das pedradas e pauladas que este pobre escudeiro levou ao lado de seu tão louco senhor, nas estradas da antiga Espanha.
Cervantes foi tão genial, que criou Dom Cide Hamete Benengeli, um mouro, que teria escrito sobre Dom Quixote e que ele apenas traduziu para a língua castelhana.
E até hoje investiga-se a existência desse tal Cide Hamete... Afinal, loucura é contagiante.
Mas a grande herança que Dom Quixote e Sancho Pança deixaram para as gerações futuras, é o poder da verdadeira amizade.
Uma lealdade incrível ( tirando as pauladas na cabeça dura de Sancho que Dom Quixote vez ou outra tem que desferir para convencer o amigo ), emociona qualquer um que chegar a ler este livro.
Sancho é tão leal, que ao mentir a seu senhor que Dulcineia está enfeitiçada, acaba cumprindo a pena de açoitar a si mesmo ( única forma de libertar a paixão de Dom Quixote do feitiço ), mesmo sabendo que não havia feitiço algum. Simplesmente o faz para salvar o amigo de uma morte certa pela desilusão e a loucura.
Confesso que as últimas páginas de Dom Quixote são de uma dor profunda, pois nosso herói vítima da idade e das desventuras sofridas, acaba morrendo em sua cama.
No fim ele reconhece a sua loucura, pede perdão a Sancho por convence-lo a compartilhar desta loucura, e cumpre a promessa de pagando todo o salário que antes lhe havia prometido.
Elegemos O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha como o maior livro de todos os tempos.
E deixo bem claro aqui, que tão logo termine esta postagem, vou reler mais uma vez o meu bom e velho Dom Quixote...

Jaz aqui um fidalgo tão forte
Que a extremos chegou
Tão valente, que a morte
Da vida não triunfou
Ele o mundo percorreu
E se dizem que foi louco
Com bom juízo morreu.

( TRECHO DE DOM QUIXOTE )

quinta-feira, 1 de maio de 2014

20 Anos sem Senna

Desde a criação deste Blog, todos os anos homenageamos um dos maiores heróis do esporte brasileiro.
Este ano faremos diferente.

Colocaremos os links para as homenagens anteriores, para você relembrar como nossa humilde página relembrou este grande esportista brasileiro.

Como sabemos que canais de televisão, grandes jornais e sites famosos homenagearão o brasileiro, nossa página nem mesmo tem como dizer mais nada a não ser que sentimos muitas saudades...

Senna, o Mito - 30 de Abril de 2011


18 Anos sem Ayrton Senna - 1 de Maio de 2012


Ayrton Senna, 19 Anos sem o Campeão



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Zodíaco - Romance Policial das Antigas

Ano de 1969, três jornais recebem cartas de um mesmo remetente:  San Francisco Chronicle, San Francisco Examiner e Vallejo Times-Herald.
A carta enviada ao Chronicle trazia a confissão de um assassinato e as três juntas formavam um código que revelaria a identidade do criminoso.
Até ai, a mesma e velha história repetida em Arquivos X, CSIs e outra séries policiais, o do assassino que gosta de desafiar a polícia com cartas e pistas deixadas em todos os lugares.
Mark Ruffalo e Anthony Edwards, os policiais...
Mas a grande diferença de Zodíaco, é que isso realmente aconteceu entre os anos de 1969 até finais dos anos 70...
O grande carro chefe do filme é o elenco que tem feras como Robert Downey Jr, Mark Ruffalo e Jake Gyllenhaal, que foram ajudados por outros menos renomados que não ficaram devendo.
Os personagens são todos muito bem recriados no ambiente da época, dando ao filme uma atmosfera quase intimista.
Jake Gyllenhall e Robert Downey Jr, os jornalistas...
A trama não tem como alvo principal o serial killer, mesmo que a história seja baseada em seus crimes, mas o que realmente chama a atenção é o desenrolar das vidas dos envolvidos no caso Zodíaco.
Demissões, divórcios, e até mesmo o pedido de transferência do inspetor Armstrong ( Anthony Edwards ), deixando Ruffalo ( seu parceiro no filme ) carregando a pressão sozinho, são algumas das ações indiretas do criminoso, já que seus crimes acabaram tomando grande parte da vida dos envolvidos.
Fica evidente que o filme queria mostrar como a opinião pública e a mídia influenciam no trabalho policial.
Jornais vendem qualquer coisa...
Se você não consegue ficar em um emprego por mais de 3 anos, imagine ficar quase 10 anos na mesma investigação, com todos os canais de TV e jornais transformando o assassino em herói e a polícia em meros incompetentes...
Para alguns que gostam mais de tiros e socos, o filme vai ser um pouco enfadonho, mas no início, os crimes cometidos pedirão por mais e mais... claro que para aqueles que amam o sangue escorrendo e respingando na câmera...
Códigos, pistas... mas que levam até quem?
Vale a pena perder mais de 2 horas na frente da telinha...
E vale mais ainda a pena ver as cenas finais de Gyllenhaal cara-a-cara com o suposto assassino, e o sobrevivente do primeiro crime anos antes reconhecendo o suspeito...
Para quem gostou de Se7en ( Brad Pitt e Morgan Freeman ) vai praticamente ser obrigado a assistir a este romance bem ambientado e com algumas curiosidades como uma trilha sonora que caberia mais em uma comédia, e que teve a intenção de dar um clima de ironia ao filme...
Zodíaco em ação.
Para mim, um dos melhores do gênero, se é que se encaixa em algum...

VEJA O TRAILER E ALGUMAS IMAGENS DO FILME: