quarta-feira, 31 de agosto de 2022

As Cinco Vias de São Tomás de Aquino

Os argumentos das cinco vias que demonstram a existência de Deus, os quais foram elaborados por Santo Tomás de Aquino, não tinham a intenção de provar que Deus existe, pois, segundo ele, isto é impossível, por ser tratar de um artigo de . Porém, é impossível demonstrar de modo a posteriori que Deus existe, ou seja, através das coisas empíricas e sensíveis, fazendo uma retomada à metafísica de Aristóteles, contudo, aplicando novos conceitos num sentido cristão. Vale ressaltar aqui, que Tomás não concordava com o argumento de Santo Anselmo, que ao contrário do Doutor Angélico, afirmava que podia-se provar a existência de Deus de modo a priori. Sendo assim, Tomás nos mostra que empiricamente é possível demonstrar que Deus existe.

1ª VIA
A primeira via que leva à demonstração da existência de Deus, baseia-se no movimento ou motor primário, ou seja, no mundo todas as coisas estão em constante movimento, transformação, isto é perceptivo a todos, sendo assim, há algo que move todas as coisas, não tem como alguma coisa mover-se por si mesma. Portanto, para Tomás há um ser movente que não é movido, mas que através dele se iniciou todo o movimento, e este ser movente, só pode ser Ato em relação a todos potenciais exitentes, assim sendo, este movimento em Ato primo é Deus.

2ª VIA
A segunda via é conhecida como a causa eficiente, isto é, no mundo todas as coisas são causadas por algo, por exemplo, um livro que está com uma página rasgada foi causado por um agente, não tem como o livro ser causa de si própria, se autodestruir. Sendo assim, se retrocedermos todas as causas ao infinito chegaremos há um ser que não é causado, de onde tudo se iniciou, que é causa eficiente de todas as coisas, e, esta causa primária é Deus.

3ª VIA
A terceira via é sustentada pelo argumento do necessário e do contingente. No mundo existem coisas contingentes, que podem ou não existir, ou seja, não é necessário que aconteça ou exista. Mas para que tais coisas contingentes existam, é necessário a existência de um Ser necessário, na qual tudo emana, que no caso não é contingente. Sendo assim, todas as coisas são contingentes, por exemplo: somos contingentes em relação aos nossos pais, poderíamos existir ou não, assim também, nossos pais são contingentes em relação aos nossos avós, e assim por diante, até chegar num ser que não é contingente, que não necessitou de ninguém para existir, e este único ser necessário é Deus.

4ª VIA
A quarta via é caracterizada pelo grau de perfeição nas coisas existentes, esta via é de índole platônica, pois, Tomás, argumenta que há uma hierarquia de perfeição nas coisas do mundo, sendo assim, nós, seres inferiores temos um referencial de perfeição em um ser que possui todos os atributos, virtudes e perfeições, na qual é Deus.

5ª VIA
Por fim, a quinta via é sustentada pelo argumento do fim último, ou seja, no mundo todas as coisas tem uma finalidade própria, sendo assim, há um ser que ordena todas as coisas, que governa, caso contrário, o mundo seria o caos, e este ser é Deus.

CONCLUSÃO:
Portanto as CINCO VIAS que levam à demonstração da existência de Deus não tem finalidade de provar a existência de Deus, nem mesmo dogmatizar tal argumento, pois, Tomás como grande teólogo e filósofo, elabora as cinco vias no campo filosófico com o objetivo de demonstrar racionalmente que Deus existe, sendo assim, não é um dogma da religião, porém, os argumentos das cinco vias podem ser convincentes até mesmo para um não crente, embora seja questionado por muitos filósofos atualmente.

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Derrota de Bolsonaro pode unir SBT e Record

 

Uma possível derrota do atual presidente Jair Bolsonaro na eleição que será realizada em outubro, pode gerar uma parceria inédita na história da TV brasileira.

Caso Bolsonaro não seja reeleito, o SBT e a Rede Record estudam a possibilidade da realização de um Reality Show que contaria com a presença do ex-presidente.

A cúpula da TV que pertence ao Bispo Edir Macedo estaria em conversas adiantadas com Silvio Santos, negociando a criação do programa que seria uma mistura de A Fazenda com o extinto Casa dos Artistas. A atração seria exibida nos dois canais de maneira simultânea, com câmeras espalhadas por toda a casa.

Jair Bolsonaro, conhecido por suas declarações polêmicas, seria a principal figura do programa que pode ir ao ar a partir de Fevereiro de 2023, caso Bolsonaro não esteja mais no comando do país. Nas duas TVs, a expectativa é de otimismo em relação a realização do Reality, mesmo que isso signifique uma derrota do atual presidente na sua tentativa de reeleição.

Confidencialmente, os comandos dos dois canais já dão como certa a recondução do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva ao Planalto. Lula já presidiu o Brasil por dois mandatos.

Mesmo com todo o otimismo, existem ainda algumas questões a serem resolvidas pelas emissoras. Uma delas, é a preocupação com a rejeição de Bolsonaro.

Um diretor da Rede Record teria dito que geralmente as pessoas que passam mais tempo em casa, sem precisar trabalhar, pois recebem ajuda financeira do governo, são pessoas com simpatia a ideologias nocivas à família e aos bons costumes. E estas pessoas poderiam votar de forma maciça para a eliminação de Bolsonaro do Reality.

Uma solução para essa questão teria sido sugerida pelo apresentador Ratinho, do SBT. Ratinho teria dado a ideia da criação de três grupos dentro da casa, que teriam um líder. Esse líder não poderia ser eliminado no primeiro mês de programa. Neste caso, Bolsonaro já entraria na atração como um dos líderes. Ratinho ainda sugeriu que os grupos recebessem os nomes de Direita, Esquerda e Centrão.

Essa ideia garantiria que Bolsonaro ficaria ao menos trinta dias na telinha em pleno horário nobre.

Outro problema tem preocupado os idealizadores do programa: patrocínio.

Até agora apenas um anunciante aceitou patrocinar a atração, as Lojas Havan de propriedade do empresário Luciano Hang, amigo pessoal de Bolsonaro, também chamado de "Véio da Havan".

Sem outros anunciantes, as duas emissoras teriam de bancar financeiramente a atração. Para Silvio Santos isso não seria um grande problema, mas para os representantes do Bispo Edir Macedo, a falta de patrocínio impediria a realização do Reality. Edir Macedo não é conhecido por abrir a mão, pelo contrário, gosta de lucrar, e muito, com sua TV.

Nada ainda está totalmente confirmado, mas com as eleições cada vez mais próximas, a realização dessa parceria inédita entre Rede Record e SBT, pode estar cada vez mais perto de acontecer.

Vai depender apenas da decisão do eleitor.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Conspiração Alienígena Denunciada por Israel

 

Esta revelação foi feita pelo ex-militar israelita Haim Ben-Eshayed: os EUA tem um acordo interplanetário com alienígenas.

Haim foi responsável pelo Programa de Proteção Espacial Contra Ataques Alienígenas entre os anos de 1981 e 2013.

Durante todo este período, ele alega ter testemunhado conversas entre o governo americano e o governo da Federação Galáctica.

Ele afirma ainda, que o presidente americano Donald Trump queria revelar essa informação, mas que foi impedido pelo Conselho Interplanetário Galáctico do qual faz parte não só seres de outras galáxias, como também os governos dos EUA, Israel, Japão e Egito.

Ele não descarta que a derrota de Donald Trump ao segundo mandato a frente dos EUA, tenha sido causada por interferência alienígena. Para ele, a Federação Galáctica fez uso de um raio influenciador que fez com que os eleitores votassem em Joe Biden. O motivo seria impedir que Trump no comando do país, revelasse as transações alienígenas na Terra.
Haim foi mais além, ele revelou que os governos destes países fornecem vidas humanas em troca de tecnologias modernas produzidas por estes alienígenas. Uma delas seria a Internet 5G, que vem sendo alvo de disputa comercial entre China e EUA.

De acordo com o ex-militar, a China conseguiu essa tecnologia através de alienígenas rebeldes que querem a destruição da Federação Galáctica.

Outra tentativa de destruir a Federação e prejudicar a relação com a Terra, seria a aplicação da vacina contra o Covid, desenvolvida em uma tripla parceria entre o governo chinês, a Aliança Rebelde Alienígena e os comunistas. Esta vacina conteria um gene alienígena que mudaria o DNA humano, e possibilitaria o controle dos seres humanos.

As revelações do israelense vão ainda mais longe. Para ele, Joe Biden já recebeu DNA alienígena e estaria a trabalho da Federação Galáctica e atuará para manter em segredo a união entre humanos e alienígenas. Biden ainda atuaria na tentativa de uma negociação de paz com a Aliança Rebelde. Para isso, já anunciou que seu governo nomeará comunistas para altos cargos no país. Um dos exemplos seria o novo líder do Pentágono, Lloyd Austin. Austin também seria um híbrido com DNA comunista e alienígena que teria atuado na guerra do Iraque.

Muitas informações ainda estão em segredo, e Haim teme por sua vida, pois para ele, a Federação Galáctica faria de tudo para impedir a revelação da aliança entre humanos e alienígenas.

Por fim, Haim revelou que o Brasil está na mira desta guerra interplanetária. A Aliança Rebelde quer efetuar no Brasil o primeiro passo para a tentativa de dominação mundial, através da vacinação contra o Covid. O atual governador do estado de São Paulo, João Doria seria outro agente que também tem DNA comunista e alienígena. Ele pretende vacinar a população brasileira com o gene alienígena presente na vacina criada pela China, em parceria com o governo paulista.

Haim diz ainda, que a única esperança do povo brasileiro é a atuação do presidente Jair Messias Bolsonaro. O presidente brasileiro estaria atuando sob o comando da Federação Galáctica para defender o povo da dominação alienígena. Porém, ele estaria sendo ameaçado para não revelar a presença da Federação e da Aliança na Terra.

Haim acredita que muitas outras ameaças contra a raça humana virão em 2021. Ele teme que se não houver um acordo de paz entre a Federação Galáctica e a Aliança Rebelde Alienígena, todo nosso planeta estaria ameaçado por uma guerra espacial.

Atualmente, Haim está escondido em um país da América Latina, e nos concedeu esta entrevista sob a promessa de que não revelaríamos seu paradeiro.

domingo, 28 de junho de 2020

Plágios e Delações

PLÁGIOS E DELAÇÕES

I

Tinha dezenove anos. Era uma fase boa mas também braba. A faculdade era uma maravilha mas não dava pra ir a pé, então a luta era pelo dinheiro do ônibus. Se desse, lanchava.

Fiz uma prova de Álgebra Linear, tirei 4,5. Péssimo. Precisava de 9,5 para passar. Um amigo, com a maior boa vontade, que tinha tirado 9 ou 10, me deu aulas particulares grátis. Estudei pacas Chegou a segunda prova, a correção era na hora. DEZ. Quase caí para trás. Maior orgulho.

Saindo da sala, está o amigo com a cara branca de leite, nervoso, suando. Prova em branco. O cara que me deu aulas e me fez passar estava no buraco. Sem que ele tivesse me pedido, fui uma besta e larguei a minha prova na mesa dele. Claro que eu estava errado, muito errado, mas achei injusto demais que a pessoa que me ajudou estivesse no chão ali. Foi uma besteira de um segundo.

Nervoso, ele tinha a prova nas mãos e se enrolou. Não era de cola. A professora veio, desconfiou, mexeu no material e deu o flagrante na prova novinha, dez da silva. Uma gata da sala me ligou à tarde, contou o desastre e aí me senti culpado duas vezes.

Passou uma semana de agonia. Cheguei a procurar a professora na secretaria, não encontrei, sabia que teria que acertar aquilo. Na semana seguinte era a prova final e, quando estou sentado no hall da faculdade, ela veio e educadamente pediu para falar comigo. Fomos até a sala onde seria aplicada a prova. E quando lá chegamos, eu fiz o que sempre esperam de mim, errando ou não:

- Professora, a culpa daquilo foi 100% minha. O amigo não me pediu nada, estou errado e, se a senhora quiser, tem todo o direito de me reprovar inclusive. Eu só consegui passar porque ele me deu aulas, ele me tirou xerox de graça, eu estou sem dinheiro, o meu dez só aconteceu por causa dele. Não devia ter feito aquilo e não tem justificativa, mas explicação. Mil desculpas, estou errado, você decide.

(Silêncio típico de uma mulher madura, refletindo diante daquilo)

- Paulo, eu até entendo. O que eu não esperava era que fosse logo você a fazer isso que tanta gente gosta aqui. Eu vejo quando você está no corredor e o pessoal gosta de você.

Sem brigas, sem notas, sem zero, a professora Regina me deu uma das maiores lições de toda a minha vida. Seja quem você for, você tem uma reputação a zelar. E não dá pra ser mais ou menos bom ou fazer mais ou menos o bem, ou ainda aplicar à ética um formato elástico por casuísmo. De lá para cá, eu errei muitas outras vezes, mas o mesmo cara que fez aquela bobagem também foi o que por 25 anos calculou o principal índice de custas cartorárias do Rio de Janeiro, aplicado a todos os imóveis comercializados, sem deixar uma vírgula para que peritos viessem pra cima, como faz um papa defunto na hora capital.

Agradeci Regina de coração. Não a vejo há 25 anos. Espero que esteja bem. Ela foi uma das pessoas que salvou a minha vida, mas nem sabe. Meu amigo está bem, casado, feliz, é uma boa pessoa, das mais legais e divertidas que conheci na UERJ.

II

A prova era difícil paca, a professora gostava de mim de graça, tinha um pessoal meio bobo que disputava a liderança intelectual da sala com as maiores notas, que na prática não significavam nada.

Veio a prova, com consulta (nunca é fácil), um zum-zum-zum na sala, eu brigando com a calculadora. Pesquisar na matéria é diferente de copiar provas antigas com nota 10. Fiz de cara limpa. Teve gente que nem usou a calculadora pra estimar amostra. Pqp...

No dia do resultado, correção na mesa da professora, ela me chama. Sempre por Paulo Roberto, tal como minha mãe fazia e a Marina faz às vezes:

- Paulo Roberto, sei do seu potencial desde outros períodos, mas você precisa se aplicar mais, a nota é apenas 6,5.

(Duro que nem um coco, meu pai no auge da depressão e alcoolismo, só ia em casa pra dormir e tomar banho, estágio no aperto, aula de manhã e de noite, a Era Collor...)

(Ouço risinhos de dois ou três, que tinham tirado 10 graças ao artifício da prova copiada. O sangue subiu)

- Cristina, minha nota não foi baixa. É que sua prova é difícil e eu a fiz com consulta à matéria, não copiando uma prova antiga idêntica. Sinceramente, se você prestasse mais atenção às provas, já teria percebido que tem gente fazendo sem usar a calculadora, o que é tecnicamente impossível. Claro, tem gente só copiando. Não é problema de aplicação, é de caráter. Duvido que alguém que riu de mim há pouco me desminta.

(Silêncio rubro-negro na hora do gol de barriga, que nem tinha acontecido na época)

Acabei passando, segui, me formei com muita luta. Nunca fui santo mas tenho certeza de que acerto muito mais do que erro, e não me contento em ser bom mas sim em fazer o bem. Demorei mais tempo do que devia para me formar porque não optei por caminhos mais fáceis.

A professora deve ter me escutado. No período seguinte a farra acabou, não teve mais consulta e a matéria passou a ser carne de pescoço. Os dois ou três do risinho passaram a não falar comigo, o que não fez falta nenhuma.

III

Meu humilde diploma foi conquistado com muito suor. Vai fazer 26 anos daqui a menos de dois meses. Passei para dois mestrados, mas desisti por falta de bolsa e de dinheiro. Poderia ter sido um bom professor, é o que dizem. Depois passei por três faculdades, larguei todas pela metade, virei escritor, montei blogs, virei repórter, remontei meu sebo e estou lutando para sobreviver. Vamos ver se dá.

IV 

Perto de ter um ministro da Educação que mente sobre um doutorado que não tem, além de estar em xeque por plágio na tese de mestrado, cá entre nós, eu estou bem na fita. O problema é que, além da minha total oposição a esse desgoverno fascista, escrevi 28 livros como autor e coautor, um currículo que é indesejável para esses transtornados de terra plana, cloroquina e rachadinha. É isso.

@pauloandel ( clique )

Paulo-Roberto Andel é escritor com várias obras publicadas, bacharel em Estatística, radialista e blogueiro.

domingo, 26 de janeiro de 2020

Tragédia Terraplanista

Neste domingo, 26 de janeiro, algo totalmente inimaginável aconteceu. Um grupo formado por três terraplanistas sofreu uma tragédia ao tentar chegar a "borda da Terra".

De acordo com as informações da Agência Terraplanagem Global ( GTA em inglês ), o grupo formado pelos três cientistas acabou morrendo ao sofrer um grave acidente.

O americano Lestrange Guy, o japonês Chitai Shita Otomo e o brasileiro Carlos Relâmpago, morreram no acidente.
Eles teriam ido de avião da Argentina até a base científica na Antártida. E de lá, foram de trenó até o local onde acreditavam ser a fronteira da borda da Terra.

A tragédia ocorreu porque uma tempestade de neve diminuiu a visibilidade dos três cientistas, que acabaram despencando da borda da Terra.

Eles caíram no vazio, e morreram ao despencar de uma altura ainda não calculada.

O porta-voz da Agência Terraplanagem Global, o americano Chucky Oldman Dohavan, disse que o sacrifício dos cientistas não será esquecido, e que os seus nomes entram para a história.

- A morte destes três heróis, prova o que sempre tentamos mostrar ao mundo, que a Terra não é redonda, nem nunca foi. Vamos trabalhar agora no projeto "Ladder to no Man land", que visa construir a maior escada do mundo para que possamos descer da borda da Terra sem se estabacar, e explorar além da fronteira do vácuo. - disse Oldman Dohavan.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Entrevista com Elda Miranda

Mais uma entrevistada chega as nossa páginas para enriquecer nossa série de entrevistas.
Elda Miranda é formada em pedagogia, especializada na área de educação especial desde 2004, e atua na educação municipal de Campo Grande desde 2010. Ela também já atuou na Apae, em Campo Grande.
Ela respondeu a questões ligadas a educação especial, e sua situação nas escolas públicas.


1- Como ter certeza de que um aluno com deficiência está apto a frequentar a escola?
Diante da lei, todos têm esse direito. Só em alguns casos é necessária uma autorização dos profissionais de saúde que atendem esse aluno. É dever da escola oferecer uma pessoa para ajudar na área pedagógica APE ( auxiliar pedagógica especializada ).




2- Quantos alunos com deficiência podem ser colocados na mesma sala?
De acordo com a lei, devem ser apenas 3 alunos especiais ( acompanhados de APE ) por sala. A lei Nº 8069 garante isso.




3- Quem tem deficiência aprende mesmo?
Sim, com certeza. O professor regente e a APE, devem caminhar juntos, promovendo o avanço e o progresso deste aluno, com ensino cooperativo entre estes dois profissionais, sendo adequadas as atividades propostas, de forma a alcançar o nível de compreensão do aluno.




4- Alunos com deficiência atrapalham a qualidade de ensino em uma turma?
No caso de deficiência de aprendizado, se o aluno tiver o acompanhamento de um professor APE, não atrapalha. Mas se não houver o APE, atrapalha e muito! Pode ocorrer de o professor regente não saiba como proceder, e acaba ignorando o aluno especial. Hoje, sabe-se que que todos aprendem de forma diferente e que uma atenção individual do professor a determinado estudante não prejudica o grupo. Daí a necessidade de se atender a todos de forma igualitária.




5-  Como preparar os funcionários para lidar com a inclusão?
É interessante que todos os funcionários e profissionais, recebam informações básicas sobre como proceder com as pessoas especiais. É importante que todos compreendam que o novo aluno com deficiência é parte integrante da comunidade escolar, precisando ter asseguradas as suas condições de acessibilidade a educação.




6- Como trabalhar com os alunos a chegada de colegas de inclusão?
Sempre envolver o aluno especial nas atividades a serem desenvolvidas, pois o objetivo é inserir este aluno no meio social e incentiva-lo, dando-lhe oportunidades de avançar em sua jornada.




7- Como lidar com a resistência de pais de alunos sem deficiência, em relação a sua presença na mesma sala de seus filhos?
A direção deve sempre abrir um espaço sobre este assunto nas pautas de reuniões, para ter esclarecimentos e informações sobre o assunto da inclusão nas escolas, tem lei para isto e deve ser respeitado o direito de todos.




8- Como lidar com a resistência dos outros alunos à presença do aluno com deficiência na sua sala?
O profissional responsável pela educação especial da escola, deve ser comunicado. E junto a coordenação e direção, conscientizar os demais sobre os direitos deste aluno e mostrar que lei garante ao aluno especial, o direito de estar na mesma escola, sem ser vitima de preconceito.




9- Como é feito para se identificar um aluno com deficiência e se comunicar os pais?
Para quem lida com esta clientela, é fácil identificar certos tipos de comportamentos e características apresentadas durante o período de observação da professora. Deve-se informar a coordenação da educação especial, para serem realizadas avaliações de exames clínicos e pedagógicos. A família será orientada para levar a criança às equipes das unidades especializadas, e seguir as orientações desta equipe. Os resultados já chegam à escola com os devidos laudos e o CID tipificando a deficiência.




10- Como lidar com pais que se recusam a aceitar que seus filhos necessitam de um acompanhamento especial?
A maioria aceita as situações e seguem as orientações destinadas a família. Mas é importante falar com firmeza e ensinar os caminhos para se buscar ajuda. Esclarecendo a essa família a necessidade e a importância de se fazer o tratamento a longo ou curto prazo, dependendo de cada deficiência. É importante a escola dar um suporte e apoio para estas famílias, acompanhamento contínuo e prosseguir o tratamento especializado.


Esta foi a nossa entrevista de hoje. Se você quer aprender um pouco mais sobre os desafios da educação especial, leia a obra Educação Especial e Autismo produzido pela SED de Mato Grosso do Sul.


Você de Campo Grande, pode acessar também:
Semed

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Série Histórica - Guerra de Canudos Parte 7: Vida Festiva

Canudos vista pela arte Naïf
A vida urbana organizou-se rapidamente. O consenso e a coesão garantidos pela adesão à pregação religiosa regiam as linhas gerais do comportamento da população. Ali não se bebia e não se jogava. Segundo Euclides da Cunha, certa vez o líder mandou destruir a machadadas os barris de um carregamento de aguardente chegado de Juazeiro, expulsando a seguir os tropeiros que haviam introduzido a mercadoria.Porém, temos referência à ingestão de bebidas alcoólicas no arraial.

A prostituição não era admitida. Entretanto, a vida sexual dos habitantes da aglomeração não era rígida. Como era e é normal entre as comunidades rurais brasileiras, o concubinato e as uniões livres eram tolerados e bastante difundidos.

Havia uma cadeia, conhecida como "poeira", cujo próprio nome indica que era pouco usada. Ela servia apenas para reprimir pequenas faltas. Quando ocorriam delitos e crimes mais graves, os responsáveis eram banidos da comunidade ou entregues às autoridades da comarca de Monte Santo. Como jamais se arrogou indevidamente poderes eclesiásticos, Antônio Conselheiro procedeu do mesmo modo em relação ao poder civil.

A vida cotidiana dos habitantes esteve profundamente associada ao sagrado.A comunidade era concebida como um espaço reservado aos eleitos de Deus. Uma terra em que corria um "rio de leite", com "barrancos de cuscuz de milho", isto é, um local de abundância e de felicidade.

O aspecto da Montanha de Piquaraça, a uns 100 quilômetros de Canudos, levou o missionário católico Apolônio de Todi, no final do Século XIX, a compará-la com o Calvário de Jerusalém, em que Jesus foi crucificado. Uma capela foi erigida nas proximidades e o local passou a ser chamado de Monte Santo. Como veremos, Monte Santo foi um dos principais pontos de apoio das expedições lançadas contra o arraial conselheirista.

De maneira similar, o nome Belo Monte não seria uma alusão ao Monte Tabor, onde, segundo a tradição popular cristã, Jesus iria retornar, antes do juízo final para juntar-se a seus seguidores fiéis e instaurar um reino de paz e prosperidade que duraria mil anos?

No interior de Belo Monte, os sertanejos expressavam de várias formas sua crença na intervenção das forças sobrenaturais. É crível que ao menos uma parte da comunidade vivesse aguardando ansiosamente o fim dos tempos, identificando em Antônio Conselheiro o profeta e o emissário direto da divindade. Viviam sob disciplina religiosa, acreditando que seriam punidos os que não cumprissem suas obrigações para com Deus.

Acreditava-se também, piamente, na intervenção sagrada por meio de milagres e prodígios realizados através de intermediários entre o Criador e os homens. A população atribuía ao Conselheiro esse papel de mediador. Ele era respeitado como líder, venerado como profeta, admirado e temido como milagreiro e taumaturgo.

Corriam, de boca em boca, narrativas relacionadas ao modo como Antônio Conselheiro realizara feitos miraculosos ou amaldiçoara os inimigos. Algumas foram incorporadas ao folclore nordestino, sendo transmitidas oralmente até os dias atuais.

Conta-se que Antônio Conselheiro, certa vez, diante de uma procissão, realizou o milagre de fazer verter água das paredes de uma igreja , ou que , ao tocar com seu cajado na ponta de uma madeira pesada, que seria empregada na construção da igreja, ela ficara leve tal qual uma pena. Houve até quem o considera-se santo idolatrando-o como se fosse um ente divino. Entretanto, segundo parece, Antônio Maciel desaprovava esses extremismos religiosos e místicos. Preferia ser chamado singelamente de "peregrino".

A religião cabocla, resultante de profundo sincretismo, congregava em si elementos do catolicismo popular português com crenças e rituais  indígenas e de origem africana. A exteriorização  da crença mesclava aspectos do culto católico ( preces, romarias e penitências ) com ritos, cerimônias talismãs e amuletos pertencentes ao universo mágico-religioso das tradições indígenas e africanas.

Uma das tradições indígenas verificadas em Belo Monte ocorria no mês de agosto, quando os descendentes de indígenas bebiam um licor feito de jurema ( planta nativa fortificante e de propriedades alucinógenas ), fumavam e bebiam cachaça, numa mostra da persistência dos rituais de cunho pagão. Essa tradição sugere que a interdição de bebidas alcoólicas não seria tão restrita.

Ao cair da tarde, todos os dias, as badaladas do sino da igreja anunciavam as rezas coletivas. Nestes momentos, era comum a separação da multidão em dois grupos: o dos homens e o das mulheres. Mesmo durante o período de conflito armado, essa atividade continuou a ser realizada habitualmente. Até o momento em que foi morto alvejado por balas do exército, Timotinho cumpria pontualmente a sua função de sineiro, chamando o povo para procissões e orações.

Após a destruição de Belo Monte, em meio às ruínas e aos corpos carbonizados dos cadáveres, soldados, jornalistas e espectadores puderam constatar o quanto o sentimento religioso orientara as ações dos moradores, encontrando nos escombros das moradias destroçadas variados tipos de rosários, crucifixos, imagens, amarrotadas de santos , figas, cartas santas, orações e benditos em caderninhos costurados e escritos com a caligrafia rudimentar dos semiletrados.

Mesmo os adversários declarados de Antônio Conselheiro não denunciaram qualquer forma de desvio da religião católica no interior da cidade. O frade italiano João Evangelista de Monte Marciano, destacado pelo arcebispo da Bahia, em 1895, para realizar uma missão espiritual naquele lugar, apesar de demonstrar grande antipatia pelos caboclos e por seu líder, atestou a retidão espiritual do povoado. O único erro apontado dizia respeito ao rigor excessivo na conduta moral dos fiéis e ao fato de que o velho peregrino substituía os representantes diretos da igreja.

O "beija" a que se referiu com desdém o emissário do arcebispo era uma cerimônia particular. Depois das rezas, das ladainhas ou dos terços e antes da pregação, Antônio Beatinho, um dos colaboradores diretos de Conselheiro, tomava um crucifixo nas mãos, e depois, pequenas estatuetas da virgem, de Cristo e dos santos, beijando com êxtase cada uma das imagens, sendo imitado pela multidão que, em fila, reverenciava os ícones sagrados.

Não se pense que a atmosfera de misticismo inibisse o espírito alegre e festivo do sertanejo. As pregações religiosas diárias eram momentos de congregação e socialização geral. Nem todos os habitantes eram ascetas e o próprio Conselheiro jamais obrigou alguém a frequentar as cerimônias. As mulheres em maior número, e os homens sinceramente tocados pela piedade compareciam frequentemente às rezas. Quanto aos demais, bastava viverem honestamente, cumprindo com seus deveres e obrigações, sem fazer mal ao próximo.

Em ocasiões festivas, o sacro misturava-se ao profano. O povoado era todo embandeirado, os sinos rebimbavam, realizavam-se disputas de tiro ao alvo. Nas vaquejadas periódicas, os cavaleiros e os vaqueiros demostravam habilidade e destreza no trato com as manadas no laço e na montaria.

Nas feiras e nos pontos de comércio, enquanto os negociantes e o povo comum vendiam e trocavam seus produtos, os cantadores improvisavam versinhos e cantigas, em que o líder máximo era geralmente enaltecido, e anunciava-se a derrota próxima dos adversários. mas sobrava também inspiração para os sentimentos de afeição.

Nas formas de sociabilidade permitidas e difundidas entre os caboclos, as festas em homenagem aos santos, e especialmente as festas natalinas, eram integradas por danças, música e muita comida. Em 1893, depois da conclusão dos trabalhos de restauração da igreja velha, a inauguração foi festejada com música e estouro de fogos de artifício. A queima de fogos nas festas de São João era das maiores da região. Mesmo em momentos menos solenes, por ocasião de casamentos e batizados, por exemplo, comemorava-se com tiros de espingarda, fogos, vivas e banquetes. Nas proximidades, abundavam o salitre e o enxofre necessários para a fabricação de pólvora.

Nada indicava a predominância de tristeza ou da circunspeção excessiva, parecendo infundadas as acusações de fanatismo dirigidas aos conselheiristas. pelo contrário, os dados gerais relativos aos costumes vigentes demonstravam de forma clara o quanto toda a comunidade participava do modo tradicional de vida do mundo sertanejo. A diferença fundamental era de que tal vivência ocorria de forma autônoma e independente das instituições representantes do poder. Belo Monte constituía um estado dentro do estado. Um estado rústico, informal, de fronteiras e cidadania indefinidas, mas capital conhecida: Belo Monte.

A figura carismática de Antônio Conselheiro sobressaía não apenas dentro ou nas imediações do arraial. Sua influência era reconhecida em toda a Bahia e mesmo em outros estados do Nordeste. A fama chegava a tal ponto que retratos seus eram expostos nas paredes de muitas casas em Salvador. A posição de liderança de número tão expressivo de seguidores garantiu-lhe uma autoridade reconhecida por fazendeiros e por políticos baianos influentes.

No arraial de Belo Monte, o velho peregrino, além de líder religioso, era o protetor pessoal de toda a coletividade. Antes mesmo da fundação do arraial, muitos pediam para que o homem santo servisse de padrinho para seus filhos, honrando-os com sua proteção.

Entre 1880 e 1892, somente na cidade de Itapicuru de Cima, Conselheiro batizou 92 crianças, indicando com madrinha a virgem Maria. Não parece absurdo supor que no arraial tal tipo de prática existisse. Neste ponto, o conselheiro assumia a posição de pai e protetor, costumeiramente desempenhada pelos coronéis. Essas relações e alianças interpessoais  desempenharam, certamente, um importante papel quando da resistência armada.

Conselheiro possuía enorme prestígio; por isso mesmo despertava a admiração, mas também a inimizade. Em pouco tempo, o arraial de Belo Monte tornou-se referencial para os pobres de todo o sertão. Tornou-se , ao mesmo tempo, uma ameaça real para os representantes do poder regional.

Com o aumento gradativo das pressões, o conflito violento parecia inevitável. Disso, os próprios conselheiristas pareciam ter ciência.
Este artigo tem como base bibliográfica a obra Belo Monte uma História da Guerra de Canudos, de José Rivair Macedo e Mário Maestri, da Editora Moderna que faz parte da Coleção Polêmica.