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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Letra

 

Meu pai tinha uma letra maravilhosa. Eu gostava de vê-lo escrever. Ele escrevia pequenas coisas todos os dias: lista de tarefas, coisas para comprar, preços para pesquisar. Eu achava muito legal quando ia à rua com seu bilhete para comprar coisas ou realizar tarefas.

Minha letra já foi bonita, não como a dele, mas bonita também. Digitando em computadores há mais de trinta anos, ela se perdeu. Embora seja um proletário como outro qualquer, frequentemente preciso autografar livros e fazer dedicatórias. Que vergonha da minha letra! Ainda bem que ninguém reclama. Dado o retorno, as pessoas parecem gostar dos livros, ufa!

Desde criança eu era cercado de letras e números, aqueles de plástico para aprender a montar palavras e contar. Ainda me lembro como minha mãe ficou assustada ao me ver escrevendo sozinho - eu nunca tinha ido à escola. Por diversos motivos, o fato é que fiz do antigo primário uma completa zona: não fiz a primeira série, só fiz o último bimestre da segunda e o primeiro da terceira. Fui parar na quarta.

Os anos poupados no primário foram derramados na UERJ, onde gastei - melhor dizendo, investi - dias e dias com matérias muito loucas, shows, filmes, garotas lindas, futebol e conversa fiada - o esporte preferido. Me formei com dois anos a mais de curso, como todo ser humano normal, mas com uma tremenda vantagem: somada aquela experiência do primário com a da faculdade, mais a do trabalho (onde escrevi matérias e releases por anos a fio, sem assinar) e posteriormente no convívio na Livraria Berinjela, mais alguns anos de coragem e ploft - virei o que chamam de um escritor.

Isso não mudou em nada minha pobreza, minha tristeza e meu ceticismo sobre o ser humano, mas me deu uma satisfação enorme de fazer algo bem, do jeito que meu pai fazia com sua linda letra. É uma pena que ele não tenha lido um livro meu, mas todos têm a influência dele, de alguma forma.


@pauloandel

domingo, 28 de junho de 2020

Plágios e Delações

PLÁGIOS E DELAÇÕES

I

Tinha dezenove anos. Era uma fase boa mas também braba. A faculdade era uma maravilha mas não dava pra ir a pé, então a luta era pelo dinheiro do ônibus. Se desse, lanchava.

Fiz uma prova de Álgebra Linear, tirei 4,5. Péssimo. Precisava de 9,5 para passar. Um amigo, com a maior boa vontade, que tinha tirado 9 ou 10, me deu aulas particulares grátis. Estudei pacas Chegou a segunda prova, a correção era na hora. DEZ. Quase caí para trás. Maior orgulho.

Saindo da sala, está o amigo com a cara branca de leite, nervoso, suando. Prova em branco. O cara que me deu aulas e me fez passar estava no buraco. Sem que ele tivesse me pedido, fui uma besta e larguei a minha prova na mesa dele. Claro que eu estava errado, muito errado, mas achei injusto demais que a pessoa que me ajudou estivesse no chão ali. Foi uma besteira de um segundo.

Nervoso, ele tinha a prova nas mãos e se enrolou. Não era de cola. A professora veio, desconfiou, mexeu no material e deu o flagrante na prova novinha, dez da silva. Uma gata da sala me ligou à tarde, contou o desastre e aí me senti culpado duas vezes.

Passou uma semana de agonia. Cheguei a procurar a professora na secretaria, não encontrei, sabia que teria que acertar aquilo. Na semana seguinte era a prova final e, quando estou sentado no hall da faculdade, ela veio e educadamente pediu para falar comigo. Fomos até a sala onde seria aplicada a prova. E quando lá chegamos, eu fiz o que sempre esperam de mim, errando ou não:

- Professora, a culpa daquilo foi 100% minha. O amigo não me pediu nada, estou errado e, se a senhora quiser, tem todo o direito de me reprovar inclusive. Eu só consegui passar porque ele me deu aulas, ele me tirou xerox de graça, eu estou sem dinheiro, o meu dez só aconteceu por causa dele. Não devia ter feito aquilo e não tem justificativa, mas explicação. Mil desculpas, estou errado, você decide.

(Silêncio típico de uma mulher madura, refletindo diante daquilo)

- Paulo, eu até entendo. O que eu não esperava era que fosse logo você a fazer isso que tanta gente gosta aqui. Eu vejo quando você está no corredor e o pessoal gosta de você.

Sem brigas, sem notas, sem zero, a professora Regina me deu uma das maiores lições de toda a minha vida. Seja quem você for, você tem uma reputação a zelar. E não dá pra ser mais ou menos bom ou fazer mais ou menos o bem, ou ainda aplicar à ética um formato elástico por casuísmo. De lá para cá, eu errei muitas outras vezes, mas o mesmo cara que fez aquela bobagem também foi o que por 25 anos calculou o principal índice de custas cartorárias do Rio de Janeiro, aplicado a todos os imóveis comercializados, sem deixar uma vírgula para que peritos viessem pra cima, como faz um papa defunto na hora capital.

Agradeci Regina de coração. Não a vejo há 25 anos. Espero que esteja bem. Ela foi uma das pessoas que salvou a minha vida, mas nem sabe. Meu amigo está bem, casado, feliz, é uma boa pessoa, das mais legais e divertidas que conheci na UERJ.

II

A prova era difícil paca, a professora gostava de mim de graça, tinha um pessoal meio bobo que disputava a liderança intelectual da sala com as maiores notas, que na prática não significavam nada.

Veio a prova, com consulta (nunca é fácil), um zum-zum-zum na sala, eu brigando com a calculadora. Pesquisar na matéria é diferente de copiar provas antigas com nota 10. Fiz de cara limpa. Teve gente que nem usou a calculadora pra estimar amostra. Pqp...

No dia do resultado, correção na mesa da professora, ela me chama. Sempre por Paulo Roberto, tal como minha mãe fazia e a Marina faz às vezes:

- Paulo Roberto, sei do seu potencial desde outros períodos, mas você precisa se aplicar mais, a nota é apenas 6,5.

(Duro que nem um coco, meu pai no auge da depressão e alcoolismo, só ia em casa pra dormir e tomar banho, estágio no aperto, aula de manhã e de noite, a Era Collor...)

(Ouço risinhos de dois ou três, que tinham tirado 10 graças ao artifício da prova copiada. O sangue subiu)

- Cristina, minha nota não foi baixa. É que sua prova é difícil e eu a fiz com consulta à matéria, não copiando uma prova antiga idêntica. Sinceramente, se você prestasse mais atenção às provas, já teria percebido que tem gente fazendo sem usar a calculadora, o que é tecnicamente impossível. Claro, tem gente só copiando. Não é problema de aplicação, é de caráter. Duvido que alguém que riu de mim há pouco me desminta.

(Silêncio rubro-negro na hora do gol de barriga, que nem tinha acontecido na época)

Acabei passando, segui, me formei com muita luta. Nunca fui santo mas tenho certeza de que acerto muito mais do que erro, e não me contento em ser bom mas sim em fazer o bem. Demorei mais tempo do que devia para me formar porque não optei por caminhos mais fáceis.

A professora deve ter me escutado. No período seguinte a farra acabou, não teve mais consulta e a matéria passou a ser carne de pescoço. Os dois ou três do risinho passaram a não falar comigo, o que não fez falta nenhuma.

III

Meu humilde diploma foi conquistado com muito suor. Vai fazer 26 anos daqui a menos de dois meses. Passei para dois mestrados, mas desisti por falta de bolsa e de dinheiro. Poderia ter sido um bom professor, é o que dizem. Depois passei por três faculdades, larguei todas pela metade, virei escritor, montei blogs, virei repórter, remontei meu sebo e estou lutando para sobreviver. Vamos ver se dá.

IV 

Perto de ter um ministro da Educação que mente sobre um doutorado que não tem, além de estar em xeque por plágio na tese de mestrado, cá entre nós, eu estou bem na fita. O problema é que, além da minha total oposição a esse desgoverno fascista, escrevi 28 livros como autor e coautor, um currículo que é indesejável para esses transtornados de terra plana, cloroquina e rachadinha. É isso.

@pauloandel ( clique )

Paulo-Roberto Andel é escritor com várias obras publicadas, bacharel em Estatística, radialista e blogueiro.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Visões Noturnas


Venâncio Palhano era um peão de fazenda que viajava pelo interior do país sempre em busca de um emprego. Ele fazia de tudo, ajudava na lavoura, cuidava de gado, mexia com erva-mate, levantava cercas, caçava feras, fazia churrasco como ninguém, tocava viola, e passava horas animando a roda de chimarrão.

Seu único problema é que amava a estrada.

Não passava mais de uns dois meses em cada fazenda e já saia pelo mundo a andar pelas trilhas e trieiros no meio dessas matas fechadas, em busca de outro lugar para conhecer.

Porém, nestas minhas andanças ( que não são menos que as dele, só que não a pé, pois tenho pernas fracas como gravetos ), acabei esbarrando com Venâncio, em uma fazenda de erva-mate, onde, me confidenciaram estava havia seis meses.

Curioso, procurei saber o que havia de tão especial ali naquela pequena fazenda para segurar um espírito aventureiro por tanto tempo.

- É alguma chinoca? Ou está doente? Ou arrumou alguma pendenga e se esconde do mandatário?
- Qual nada! Se vosmecê quer mesmo saber o que me fez deixar de ser andarilho, já lhe conto.
Trouxeram o chimarrão, e corremos todos a ouvir a narrativa de nosso estimado amigo.
Ele principiou sua narrativa assim:

"- Estava eu na estrada em busca de uma fazenda qualquer onde pudesse ter um bom chimarrão, e quem sabe churrasquear e depois passar a noite esticado em uma rede, quando fui surpreendido pelo cair da noite.

A trilha era escura e a mata ao redor era fechada, o som dos bichos era distante e o luar bem fraco.

A sensação de solidão era tão pesada que me foi deixando triste e amedrontado.
Havia caminhado o dia inteiro sem ver nenhuma alma viva a não ser passarinhos e pernilongos, e queria chegar logo a algum lugar onde pudesse jogar conversa fora.
Qual não foi então, minha surpresa, quando do meio do mato saíram dois enormes homens negros, carregando cada um por uma ponta um lençol enrolado.

Concluí logo que era algum defunto, pois assim se costuma carregar quem passa deste mundo ao outro naquela região.

Pensei que eles estavam levando o pobre para algum vilarejo onde iria ser sepultado.

A minha sensação de solidão era tão grande que logo me deu vontade de alcançar os dois e perguntar quem era o defunto, se era boa pessoa, e quem sabe dar votos de sentimentos aos parentes.

Mas bastou eu andar, para eles andarem também, indo assim na minha frente, sem que eu pudesse os alcançar.

Na certa os pobres haviam se assustado comigo ali naquela trilha tão isolada que preferiram se manter longe, desconfiando que eu fosse algum assaltante.

O problema é que durante a caminhada, a imagem daqueles dois carregando o defunto a minha frente, pouco a pouco foi me deixando incomodado.

Eu parei e lhes gritei. Eles pararam, mas não me responderam. Andei de novo, eles andaram.

Aquilo me deu medo.

Estava claro para mim, que aqueles dois haviam matado o coitado e iam dar sumiço no corpo, mas não sabia o que pretendiam comigo. Talvez ainda decidissem entre si, me matar ou me deixar ir embora.

Eu parei outra vez, e resolvi ficar ali até que eles sumissem de vista. Mas os dois pararam também.

Aquilo foi demais, andei de novo eles andaram.

Parava, paravam... Andava, andavam... Parava, paravam... Andava, andavam...

Tomei a resolução. Sai correndo para alcançar os dois e resolver logo aquilo tudo.

Mas os dois correram sem largar o lençol, na minha frente. Quanto mais eu corria, mais eles corriam também.

Disparei com todas as forças que minhas pernas tinham, decidido a alcança-los. E assim o fiz."

Nesse momento ele parou para tomar outro chimarrão.
- Anda compadre. E então? Quem eram os dois? E quem era o defunto?

- Ora, compadre. Não eram ninguém.
Todos nós ficamos ali mudos, e Venâncio nos olhando matreiro, concluiu:
- Ora o medo da asas a imaginação, e esta aliada a solidão, nos prega anedotas tais que não se há de acreditar. Os dois negros carregando o lençol branco com o corpo, na verdade era uma vaca preta que tinha uma enorme barriga branca. Quando eu andava, ela andava, e se eu parava ela parava. E na escuridão da noite, eu no meu medo, acabei imaginando coisas.

Caímos todos na gargalhada.

Se a história de Venâncio era verdadeira ou não, eu nunca soube ao certo, mas se você passar pela velha fazenda que até hoje está ali naquela região, ele mesmo vai te contar enquanto toma um delicioso chimarrão. Pois já se vão vinte anos que ele mora por lá.

O medo pode dar asas a imaginação, mas cortou a asas de nosso velho amigo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A Tártaruga, O Escorpião e o Sábio

Debaixo de uma árvore na beira de um rio, um velho sábio estava se escondendo do forte sol que lhe chegava desde os céus.
Uma velha Tartaruga se aproximou e observando o rio, iniciou o seu procedimento para tomar coragem de atravessa-lo.
O sábio notou também a chegada de um Escorpião com ares de pertencer a família dos velhacos de grande quilate.
- Bom dia, senhora Tartaruga. - disse o Escorpião.
- Oh, olá senhor Escorpião. - respondeu a Tartaruga lentamente dando um passo para longe do venenoso companheiro de conversa.
- Por um acaso, a senhora iria atravessar este rio caudaloso?
- Sim, eu tenho uns parentes a visitar lá do outro lado.
- Minha cara amiga, eu lhe agradeceria grandemente se pudesses me levar de carona ao outro lado. Sabe como é, nós escorpiões somos péssimos nadadores.
A Tartaruga muito cordial olhando para o sorriso ingênuo do escorpião concordou em prestar este favor ao peçonhento camarada.
Neste momento o sábio se levantou e foi até eles.
- Desculpe, nobre Tartaruga, mas eu lhe aconselho a não levar este Escorpião nas costas até o outro lado do rio. Este lhe picaria o pescoço e lhe mataria.
O Escorpião muito estupefato olhou o velho sábio, e muito prontamente buscou se defender.
- Ora, nobre senhor, se eu isto o fizer, a Tartaruga morrerá, sendo assim, morreria eu também, pois me afogaria. Portanto não há o mínimo risco de eu praticar tamanho disparate.
- Ora, senhor Escorpião. Não me tomes por incauto, sei bem que você praticaria ato tão ordinário sob a desculpa de ser esta a sua natureza.
O Escorpião com lágrimas nos olhos não cria que um sábio pudesse dirigir a ele tal imensa duvida.
- Escute, senhor. Sou um escorpião muito nobre, de família muito tradicional nestas paragens. Nunca nenhum escorpião da minha família usou de forma nociva ou matreira nosso veneno. Apenas em busca de nosso sustento usamos tal artifício.
- Oras, Escorpião de uma figa. Como pensas que poderá enganar um sábio como eu?
A Tartaruga impaciente, visto que já caia a noite, resolveu a pendenga.
- Ora, suba ai nas minhas costas, Escorpião. Se você me ferir com essa sua arma letal, como bem disse o sábio, eu me deixo morrer no meio do rio, e você poderá atravessar outro rio na companhia de Caronte.
O Escorpião subiu no casco da Tartaruga que entrou na água o mais rápido que pode, mais muito lentamente, já podemos lhe dizer.
O sábio contrafeito pegou suas coisas e foi embora.
Quando chegaram ao outro lado do rio, são e salvos, porém, molhados, o Escorpião e a Tartaruga resolveram recolher a súcia.
- Ora, veja você, dona Tartaruga. Como pode se denominar sábio um homem destes, que usa sua sabedoria para plantar discórdia.
- Qual... Não vê você que esses humanos são muito pouco sábios?
E se foram cada qual no seu caminho, uns mais sábios, outros menos...


O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más.
Mateus 12:35

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Os Meninos, A Borboleta e o Sábio

Me disseram um dia desses que por estas paragens moravam dois garotos muito arteiros.
O Venâncio e o Palhano.
Os dois viviam levando bronca na escola, na rua, em casa, e até onde não apareciam, levavam a culpa por algum mal-feito.
Certo dia a professora, que desmentindo as histórias de cidade pequena, não era bonita nem virtuosa, mas era feia e bruta no trato com as crianças, resolveu soltar o verbo em cima dos dois meninos:
- Se vocês dois continuarem assim, nunca serão nem sábios nem famosos.
Venâncio olhou Palhano e Palhano olhou Venâncio.
- Ora, professora... Não existe neste pedaço de chão debaixo deste céu uma pessoa mais sabida que o meu amigo, o Palhano.
Palhano ficou todo cheio de si, e concordou com o amigo.
Mas Alice, que era a mais doce das alunas e a mais esperta também, tratou de tirar a alegria dos meninos.
- Professora, nem Venâncio nem Palhano, são os mas sábios desse pedaço de chão debaixo desse céu.
Raivosos os meninos queriam saber de onde Alice havia tirado aquela ideia sem pé, cabeça ou rabo.
- Lá no alto da montanha, onde tem neve o ano inteiro, mora um velho sábio. Ele sabe tudo que é sabido pelo homem. Não existe no mundo uma pergunta que ele não conheça a resposta.
- Pois, bem. - respondeu Palhano - Pois eu vou subir nesta montanha e se ele não souber a resposta da pergunta, provo que sou mais sábio do que ele.
Terminada a aula, Venâncio e Palhano começaram a subir a montanha. Mas não sabiam que pergunta fariam ao velho sábio.
Foi então que Palhano viu uma borboleta, e mais que rápido prendeu a coitada entre as mãos.
- O que foi, Palhano?
- Ora, Venâncio. Vou levar esta borboleta escondida nas mãos atrás das costas. Quando chegar na casa do sábio vou perguntar: a borboleta esta viva ou morta? Se ele responder morta, eu a solto, e ele erra. Se ele disser viva, eu esmago a borboleta nas mãos e ele erra.
- Mas então não há resposta certa para esta pergunta e o sábio não será mais sábio.
- Então eu provo que sou o mais sábio neste pedaço de chão debaixo deste céu.
E foram subindo a montanha.
Quando chegaram na casa do velho sábio, ele os esperava com um chá quente para vencer o frio da neve.
Os meninos ficaram assombrados.
- Como o senhor sabia que nós estávamos chegando?
- Ora menino, tome seu chá e não queira saber o que eu sei. Só sei que você não sabe que é falta de sabedoria andar pela neve sem casaco.
Os meninos agora sabiam o que antes não sabiam.
- Mas o que querem afinal, dois meninos que quase nada sabem?
Palhano então falou:
- Me disseram que o senhor é o homem mais sábio desse pedaço de chão debaixo desse céu.
- Huhum. - resmungou o sábio.
- Então me responda se souber, eu tenho nas mãos uma borboleta. Ela está viva ou está morta?
O sábio olhou bem nos olhos do menino, serviu mais chá e respondeu com um sorriso.
- Ora, menino, a resposta está em suas mãos, basta você escolher qual você quer.
O menino surpreso soltou a borboleta que saiu voando dali, fugindo da neve e voltando para o vale ensolarado.
Depois disso, Venâncio e Palhano, sempre que possível voltavam a montanha para aprender tudo que podiam saber sobre o que se poderia saber.
E Alice?
Alice casou com Venâncio, que no assunto de amor, era mais sabido que Palhano...

terça-feira, 4 de agosto de 2015

O Fazendeiro, Seu Filho, o Burro, e os Conselheiros da Estrada

Contar de ouvir contar, já ouvi de tudo um pouco...
Dizem por aí ( e quem sou para discordar ), que esta fábula é de Esopo.
Me contaram mais ou menos assim.
Mais que um pouco para menos que um pouco para mais, pois o mais fui eu que não deixei de menos.
O que sobrar ou faltar se deve a mim.

Certa feita, um fazendeiro precisou ir até a cidade para fazer umas compras de umas coisa que lhe faltavam.
Se não me mentem, sementes.
Para sua mãe já bem velhinha, um carretel de linha.
Para sua esposa magricela, uma panela.
Para a filha perneta, uma caneta.
E para o filho...
Bem para o filho, sobrou ir com ele.
Sobrou também para o burro, que haveria de carregar as compras de volta à fazenda.
Só de imaginar ter de carregar peso, o burro emburrado, ficou todo cismado.
Mas não teve escolha o coitado, foi amarrado e levado.
Na estrada porém, o pai, o filho e o burro logo encontraram uma senhora idosa que muito apegada aos netos sacudiu o punho para o fazendeiro e foi logo soltando:
- Como pode uma criança ser obrigada a caminhar, sendo que tens ai a mão um burro forte que ele bem poderia montar? Se o filho está cansado, culpa do pai desnaturado. -  se foi.
O pai, olhou o filho, e lhe ordenou:
- Monte no burro, filho. Não quero que me acusem de desnaturado por nada neste mundo.
E foram assim...
O pai, o burro, e o filho montado no burro.
Mais em frente cruzaram outra senhora na estrada. Esta vinha com um povo do colégio. Lá era professora, e foi logo ensinando sem ser perguntada. Mas era esperta a danada...
- Veja você. Pois fosse no meu tempo, um filho não faria assim ao pai. Mas os tempos modernos são assim. Não foram feitos para mim. No meu tempo o mais idoso ia montado e a pé ia o filho do lado.
O filho, olhou o pai e pediu:
- Pai, vai montado o senhor. Eu vou do lado caminhando. Pois se não quer ser desnaturado, não quero ser chamado mal-educado.
O pai montou, o filho foi do lado.
Mas não é que a estrada era longa, e muitas pessoas iam por ela?
Mais a frente, encontraram outro bocado de gente.
Duas freiras bem intencionadas, mas que ficaram muito transtornadas.
A mais velha disse a mais nova, ou a mais nova a mais velha, quem me contou não soube afirmar com certeza:
- Que pai mais cruel, donde já se viu ir tranquilo a montar, enquanto vê seu filho caminhar? Que tipo de pai é esse que não pensa no filho? Não sei o que mais Deus pode fazer por este mundo.
O pai olhou o filho, e lhe disse:
- Monta na garupa, meu filho. Assim, agradamos a todos e não seremos desnaturados, mal-educados e nem pecadores diante de Deus.
E montaram o dois no burro.
Mas nada termina, enquanto não chega ao final.
E enquanto não se chegava a cidade, mais pessoas se cruzavam pela estrada.
E dos jovens formandos vindos da capital, com diploma e chapel, viram pai e filho, e logo foram colocando seus estudos em prática. Um bacharel em direito o outro não menos nem mais.
- Ora veja. Como podem maltratar assim um animal? Num sol como esse obrigar o bicho caminhar e carregar duas pessoas? Não seria exagero prender os dois por maus-tratos ao animal.
- Fosse na capital e houvesse lei, estariam os dois na cadeia. Deveriam carregar o burro nas costas para ver se é bom.
- Mas também, que podemos esperar desta gente desnaturada? Com certeza foi mal-educada. Por isso cometem tal pecado contra Deus, e a natureza.
Pai e filho, desmontaram, pegaram o burro e foram para a cidade carregando o bicho nas costas.
Não queriam ser desnaturados, afinal tinham tido boa educação e eram tementes a Deus.
Quando entraram na cidade foram por todos recebidos.
Gargalhadas e aplausos. Só podiam ser de circo, afinal, carregar daquele jeito um animal?
Ou eram loucos ou eram ambos burros por igual.
Até mesmo o prefeito aproveitou e pediu mais votos, porque fosse eleito outra vez, haveria de ter muito mais espetáculos e circos na cidade.
O pai e o filho, compraram suas coisas e resolveram largar o burro. Pois este lhes causou muitos problemas.
Foram para casa, sem burro, para não ter problema com nada.
Mas e o burro?
Quem me contou, contou e jurou, que o burro concorreu a prefeitura.
E venceu.
Pois este aprendeu muito com o homem.
Principalmente a não dar ouvidos ao que o homem tem pra dizer.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha

Sempre que posso, procuro ler um bom livro.
E quando não posso leio os ruins mesmo.
Depois de um acalorado debate com alguns de meus amigos que também são amantes da literatura, sobre Dom Casmurro, onde alguns acusaram Capitu de ser leviana enquanto outros ( dentre eles, eu mesmo ) acreditavam ser Bentinho na verdade um maluco ao crer que ela o tivesse traído, a discussão mudou de rumo.
Quando menos nos demos conta estávamos debatendo se Dom Casmurro podia ou não ser considerado uma das maiores obras da literatura mundial de todos os tempos.
Deixo bem claro que na minha opinião, sim. E qualquer comentário contrário se deve unicamente ao velho preconceito dos próprios brasileiros quanto aos livros escritos por aqui. Ainda se vive sobre aquela lenda de que os estrangeiros são melhores.
Logo passamos a discutir então: qual foi a maior obra da história? Qual o livro marcou época, e que deveria ser lido por todas as pessoas do planeta?
Mesmo sendo eu cristão, prontamente excluí a Bíblia desta discussão, por não considerar que ela fosse uma obra humana. Portanto nenhum de nossos livros poderia ser comparado a um que foi escrito por DEUS.
E já digo que se você não é cristão e não acredita em DEUS, sua opinião em nada mudará nosso debate que já acabou, pois como pode ver neste momento, você está lendo o que eu postei dias depois.
Mas voltando ao assunto, várias obras foram surgindo, desde Harry Potter, o simpático aluno de magia, até ao detetive bigodudo Poirot de Agatha Christie.
Passamos pelos vampiros de Stephenie Meyer e os orcs e elfos de J. R. Tolkien.
Depois, foram surgindo outros títulos como Os Lusíadas de Camões, O Pequeno Príncipe ( Saint-Exupéry ), A Arte da Guerra ( Sun Tzu ), Guerra e Paz ( Tolstoi ).
Lembramos da temível baleia branca de Herman Melville ( Moby Dick ) e seu duelo mortal contra o capitão Ahab.
Viajamos no tempo com H. G. Wells em sua A Máquina do Tempo e O Homem Invisível.
Fizemos trabalhos forçados ao lado de Jean Valjean, por causa de um mísero pão roubado ( Os Miseráveis, Victor Hugo ).
Desmascaramos o Homem da Máscara de Ferro de Alexandre Dumas, e viajamos 20 Mil Léguas Submarinas com Júlio Verne.
Nos embriagamos em Shakespeare, pois este escreveu tantos que seria crueldade citar algum e correr o risco de ser injusto com outro. Que autor este inglesinho...
De tanto citar livros, lembrar personagens e se apaixonar por donzelas, feiticeiras, rainhas e bruxas, acabamos ficando meio loucos. Então chegamos a uma conclusão ( que não foi unanimidade, sejamos justos ).
O escolhido foi Dom Quixote de Miguel de Cervantes!
Este livro, nos faz viajar até um tempo antigo, onde a cavalaria andante era a moda da vez. Ao menos na imaginação deste nobre fidalgo da região da Mancha ( Espanha ).
Vale lembrar que de tanto ler, foi que ele acabou assim. Influenciado dentre outras obras pelo não menos maravilhoso Amadís de Gaula ( Garcí Rodriguez de Montalvo ), ele resolveu largar a fortuna e munido de uma lança, uma espada e uma armadura cavalheiresca, saiu pelo mundo montado em seu cavalo Rocinante.
Buscava renome para poder enfim conquistar o coração da formosa Dulcineia Del Toboso ( que sequer existia ).
Mas não existe cavaleiro sem um leal escudeiro, e Dom Quixote tinha Sancho Pança.
Mais que escudeiro, amigo de loucuras, e aventuras.
Moinhos que se tornavam gigantes, ilhas, cavaleiros enfeitiçados, donzelas em perigo, dragões, batalhas em alto mar, rufiões, príncipes, monges e feiticeiros, heróis e vilões...
Tudo isso, e ainda mais, tamanha a grandeza desta obra.
Não há como não rir das pedradas e pauladas que este pobre escudeiro levou ao lado de seu tão louco senhor, nas estradas da antiga Espanha.
Cervantes foi tão genial, que criou Dom Cide Hamete Benengeli, um mouro, que teria escrito sobre Dom Quixote e que ele apenas traduziu para a língua castelhana.
E até hoje investiga-se a existência desse tal Cide Hamete... Afinal, loucura é contagiante.
Mas a grande herança que Dom Quixote e Sancho Pança deixaram para as gerações futuras, é o poder da verdadeira amizade.
Uma lealdade incrível ( tirando as pauladas na cabeça dura de Sancho que Dom Quixote vez ou outra tem que desferir para convencer o amigo ), emociona qualquer um que chegar a ler este livro.
Sancho é tão leal, que ao mentir a seu senhor que Dulcineia está enfeitiçada, acaba cumprindo a pena de açoitar a si mesmo ( única forma de libertar a paixão de Dom Quixote do feitiço ), mesmo sabendo que não havia feitiço algum. Simplesmente o faz para salvar o amigo de uma morte certa pela desilusão e a loucura.
Confesso que as últimas páginas de Dom Quixote são de uma dor profunda, pois nosso herói vítima da idade e das desventuras sofridas, acaba morrendo em sua cama.
No fim ele reconhece a sua loucura, pede perdão a Sancho por convence-lo a compartilhar desta loucura, e cumpre a promessa de pagando todo o salário que antes lhe havia prometido.
Elegemos O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha como o maior livro de todos os tempos.
E deixo bem claro aqui, que tão logo termine esta postagem, vou reler mais uma vez o meu bom e velho Dom Quixote...

Jaz aqui um fidalgo tão forte
Que a extremos chegou
Tão valente, que a morte
Da vida não triunfou
Ele o mundo percorreu
E se dizem que foi louco
Com bom juízo morreu.

( TRECHO DE DOM QUIXOTE )

domingo, 11 de março de 2012

Deus x Darwin

Resolvemos trazer aqui, as duas versões existentes para a criação da terra e da humanidade.
Uma é a realidade Criacionista ( como é chamada pelos ateus, a teoria cristã ), e de outro a teoria Darwiniana, que "recriou" a terra e a humanidade.
Daremos um resumo, e você escolhe qual você acredita.


Teoria da Criação de Deus

O que sabemos sobre a criação do mundo está descrito no Primeiro Livro de Moisés Gênesis.
Deus criou os céus e a terra. Criou todos os animais, e também o homem. Deu ao homem um corpo, feito com os sais da terra.
Ordenou ao homem que dominasse sobre todos os animais viventes, plantou um jardim chamado Éden, para que o homem nele habitasse.
Em realidade, A Bíblia, traz explicação para todos os acontecimentos do surgimento da terra e do homem. Traz explicações sobre fenômenos da natureza, como o arco-íris, a gravidade, e explica até que a terra é redonda.
Até a morte corporal tem explicação, relembrando que o espírito permanecerá vivo. Tendo seu destino guiado pelo caminho desempenhado aqui na terra.

Teoria da Evolução da Espécie

No princípio, existia apenas "poeira cósmica".
De uma hora para outra, estas poeiras se ajuntaram formando a "pólvora cósmica", enquanto outras partículas poeirentas foram se ajuntando formando o "detonador cósmico" e o "pavio cósmico", e então houve uma explosão que ao invés de espalhar tudo, acabou "ajuntando" tudo.
Os estilhaços desta explosão foram se amontoando, e formaram árvores, mares, continentes e até mesmo seres vivos(!).
Um destes seres era o macaco-primo, que de uma hora para outra resolveu evoluir. Porém, houve uma parte destes macacos-primos que resolveram evoluir para os macacos de hoje. Os outros acabaram evoluindo até se tornarem os homens. Porém, macacos e homens continuam sendo primos um do outro.
Esta teoria porém, não revela o que acontecerá com o espírito, tentando fazer crer que quando o corpo morre, tudo acaba. Alega que diferenças de caráter e personalidade, são meros frutos de diferenças genéticas, que ocorrem mesmo sendo todos primos, inclusive os macacos.
Depois desta explicação resumida, você pode escolher qual a teoria que você acredita.
Ou crê em Deus, ou crê no homem.
E para os que são ateus, e dizem que a Bíblia foi escrita pela mão de homens, queria lembrar que a Teoria da Evolução da Espécie, foi escrita por um homem também.
Há uma diferença, a Bíblia, foi escrita por vários autores em épocas diferentes, já Darwin, escreveu sozinho.
Várias cabeças pensam mais do que uma.
E Deus pensa mais que todas as cabeças humanas...

Pensem nisso!

domingo, 4 de março de 2012

Ben-Hur, Agora em Desenho

Depois de 132 anos, a linda história de Ben-Hur, escrita por Lew Wallace, teve três versões cinematográficas.
A primeira de 1907, com menos de 15 minutos de duração, e que rendeu processo contra a empresa responsável.
Uma segunda de 1925 , que surpreendeu pelos efeitos especiais, muito bons para a época.
E a versão de 1959 , que foi aclamada por crítica e público, rendendo o Oscar de melhor filme, e o prêmio de melhor ator para o genial Charlton Heston.
Como uma história como esta não tem idade, a grande novidade da vez, é a versão em desenho animado. A bem da verdade, o desenho é de 2003, mas aqui no Brasil, poucos tiveram acesso a esse épico bíblico animado.
Agora, com a "inclusão social" da pirataria, fica muito mais fácil para todo mundo ter acesso a este lindo desenho.
É uma grande oportunidade de sua família receber um pouco da "palavra de Deus" em sua casa, de forma a atrair à atenção das crianças.
Para os mais adultos, existem as três opções de cinema, e ainda uma versão mais atual, realizada em 2010, que não é nem de longe digna nem mesmo da versão animada.
Fica a dica, para quem quer assistir a um bom filme, ou a 5 bons filmes, Ben-Hur é uma opção para todas as idades e estilos.
Ainda vai demorar muito para que o cinema mundial consiga realizar uma produção como esta.
Mas como até mesmo o Oscar está se rendendo ao passado premiando filmes sem cor e sem fala, quem sabe não apareça uma versão nova mais digna dessa obra?
É torcer e esperar.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Cavalo de Guerra

Cavalo de Guerra, de Steven Spielberg
Dizer que Steven Spielberg sempre acerta nas escolhas de enredo, é chover no molhado. Pois quem não conhece filmes famosos que ele dirigiu ou produziu, como por exemplo, Tubarão, Indiana Jones, E.T, De Volta para o Futuro, Os Goonies, Império do Sol, Jurassic Park, e o maravilhoso A Lista de Schindler?
Isso por que deixamos no mínimo uns dez títulos de fora, que valem a pena assistir...
Desta vez, ele adaptou para o cinema, o romance homônimo de Michael Morpurgo.
Tive a oportunidade de assistir a Cavalo de Guerra, e posso dizer que foi uma experiência única.
Sei que muitos por aí dirão não se tratar de um grande filme, principalmente os fans de filmes como American Pie, por exemplo.
Mas Spielberg desta vez se superou. Neste filme, podemos ver a Primeira Guerra Mundial, por uma visão nunca antes imaginada.
Esta foi a última guerra de cavalaria, e o mundo estava em mudança. O protagonista desta história não podia deixar de ser Joey, um cavalo que foi vendido ao exército inglês durante o confronto.
O problema é que o oficial que o comprou, morre em combate, e ele é capturado pelos alemães. Depois disso é levado de um lado ao outro, indo parar nas mãos de dois jovens desertores, uma jovem francesa, e volta para as mãos dos alemães.
Joey é vendido ao exército inglês
Seu dono, o jovem Albert Narracott, se alista no exército na tentativa de encontrar seu cavalo. Durante a batalha, Albert acaba ferido, e vai parar em um hospital de guerra.
Nesse tempo, Joey, consegue escapar, e acaba indo parar em meio a batalha mais violenta de todas. Bombas e balas deixam o animal enlouquecido, e ele acaba amarrado a uma cerca de arames farpados. A beira da morte, Joey recebe a ajuda mais inesperada de todas. Em uma cena emocionante, alemães e ingleses, içam uma bandeira branca para ajudar o pobre animal.
Joey no campo de batalha
O ponto forte do filme, é que vemos a guerra pela visão dos ingleses, dos alemães, dos colonos franceses, e acreditem pela visão dos animais que perderam suas vidas lutando em uma batalha que não era sua.
É claro, que nem preciso dizer que no fim, o jovem Albert Narracott, mesmo cego, consegue encontrar seu cavalo, em uma emocionante cena de reencontro em frente a um exército inglês atônito e emocionado.
Com certeza, vale a pena ficar as duas horas e meia em frente a tela para ver essa que pode ser a maior obra cinematográfica de 2012.
Forte candidato ao OSCAR de melhor filme, melhor trilha original, melhor fotografia e melhor direção de arte, querem apostar?

Confira abaixo algumas imagens do filme e o trailer para o cinema.

Os jovens desertores

A francesa Emilie

Joey, o herói

Joey na batalha

Ataque alemão

O Cavalo Milagroso

domingo, 24 de outubro de 2010

Todos amamos Vampiros

Tom Cruise e Brad Pitt
 Todos se lembram do Vampiro Lestat, interpretado por Tom Cruise em "Entrevista com o Vampiro" em 1994. O que poucos sabem é que esse personagem não surgiu nesse filme, mas sim no livro homônimo de Anne Rice, escrito em 1976. Anne Rice inclusive pode ser considerada a criadora dos "vampiros humanos".
Antes, vampiros eram criaturas sanguinárias, que se alimentavam de sangue humano, e que faziam várias vítimas por noite, sem se importar com nada.
Drácula, Nosferatu, entre outros menos conhecidos por muito tempo fizeram pessoas pelo mundo todo temer e odiar os vampiros.
Mas, depois da obra de Anne Rice, uma verdade absoluta sobre essas criaturas noturnas foi relembrada: antes de serem vampiros eles foram humanos.
Anne criou em sua obra, a imagem de um ser humano que passa por um dilema, precisa matar para sobreviver. Algo parecido com o que acontece com todos os animais do planeta, e que para nós é apenas a famosa cadeia alimentar. Mas, quando isso acontece com seres humanos, traz à tona ideias com ética, moral, e religião.
A autora criou uma série conhecida como "Cronicas Vampirescas" que tem mais de 10 livros. Inclusive outro que acabou indo parar nas telonas, "A Rainha dos Condenados".
Na esteira de Anne, veio Lisa Jane Smith com seu "Night World", que tem no seu primeiro volume, "Secret Vampire", a história do vampiro James, que se vê obrigado a "transformar" sua amiga Poppy, para que ela não morra por causa de um câncer terminal. Assim como os vampiros de Anne, os de L. J. Smith também tem um lado humanista. É claro que a história de Poppy e James tem um final feliz.
Bella e Edward
Final feliz que teve também a série "Crepúsculo" de Stephenie Meyer.
O romance do vampiro Edward Cullen e da humana Isabella Swan inovou por trazer uma história onde o vampiro não quer "transformar" sua amada, mas essa insiste em ser "mordida". No final, além de se casarem, e de Bella acabar virando vampira, o casal ainda tem uma filha meio-vampira-meio-humana.
Nas telas do cinema, não há uma adolescente que não tenha se apaixonado por Edward vivido pelo ator Robert Pattinson, e o mesmo pode-se dizer em relação a atriz Kristen Stewart que fez jovens suspirarem por uma namorada como ela.
O sucesso no cinema foi assombroso, mesmo ainda não sendo lançado o último volume "Amanhecer" ( que pode chegar as telonas dividido em duas partes ). Mas os três primeiros filmes já somam uma bilheteria de US$ 1,76 bilhões, e ajudaram a vender cerca de 116 milhões de exemplares da obra de Stephenie Meyer, em todo o mundo. O livro já foi, inclusive, traduzido para mais de 37 idiomas.
O que se sabe, é que uma tendência mundial tomou conta da cabeça dos adolescentes e até de alguns adultos. No antigo orkut por exemplo, existia em apenas uma comunidade relacionada a vampiros nada mais que 60408 seguidores. Se a palavra vampiro fosse procurada no orkut, só no Brasil apareceriam mais de 80 páginas de comunidades.
Isso leva a conclusão de que, se até a década de 80, os vampiros eram odiados e temidos, a partir de 1994 passaram a ser amados. Ou seja, passamos a torcer para que eles não fossem mais mortos pelos Blades e Gabrieis Van Helsings que andam por aí.
Inimigos antigos...
 Todo esse sucesso pode estar ligado a um simples fato, os vampiros carregam consigo um fardo: a imortalidade.
Mas, se para eles isso é um fardo, para muitas pessoas no mundo todo, é um sonho. O medo da morte faz com que milhares de pessoas desejem se tornar imortais. Mesmo que isso os faça beber sangue humano pelo resto de sua existência.
Mas, como a medicina e a ciência ainda não criaram uma fórmula para resolver esse problema, resta a nós mortais continuarmos apenas a torcer para que as histórias de nossos queridos "vampiros humanos" terminem com o tão esperado final feliz.
E que esse final feliz, dure para sempre.