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quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Renato Aragão 90

A melhor homenagem que uma pessoa possa receber na minha concepção deve ser em vida, frente a frente, cara a cara, com a pessoa se emocionando.

E quando se chega a 90 anos com lucidez a pessoa se sente lisonjeada com uma homenagem, com a sensação de dever cumprido, com um marco na história.

Renato Aragão ao criar o personagem Didi, criou o seu alterego artístico. Um personagem tipicamente brasileiro; nordestino, retirante, emigrante, circense, sobrevivente e renegado nas ruas.

O criador do grupo “Os Trapalhões”, o cabeça do quarteto, aquele que formatou e roteirizou o programa na TV e aquele que botou a cara na criação dos filmes, sucessos de bilheteria.

A sua arte combinou com a época e as gerações abraçaram com afinco. Teve a sorte de ter mais 3 companheiros que formaram o quadrado mágico dos domingos à noite de audiências estúpidas e de shows lotados.

A benevolência de Dedé Santana com a malandragem de Mussum e o talento primoroso de Zacarias.

Muita saúde para Renato Aragão!

TEXTO DE:
Thiago Muniz

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

A Guerra do Paraguai nunca acabou

Eu vejo como a polícia brasileira é muito resiliente com turista e extremamente opressora com a sua própria população, ainda mais se a melanina ter trabalhado mais na pele do cidadão; se for pobre então a opressão piora.

Novembro de 2023; torcedores argentinos fizeram o rebu em Copacabana, a mídia batendo palmas fazendo alusão a invasão corintiana de 1976 e o que fizeram foram arruaça e pancadaria sem nenhum romantismo em torno. Alguém foi punido? Ninguém pra contar a história. Pelo menos o Fluminense levou o título em cima dos “hermanos”.

Outubro de 2024; torcedores uruguaios começaram a mesma arruaça cisplatina, só que desta vez na orla do Recreio. Para se ter uma ideia do tamanho da impunidade até jogador uruguaio do Flamengo resolveu dar carteirada para “os cana” mas ao que parece não deu certo. 

São deboches, caretas, trânsito parado, motos e ônibus incendiados, uruguaios imitando macacos, tudo isso ao vivo em rede nacional. Se aplicar o mínimo da lei o crime hediondo ronda isso tudo. Mas estamos sob a guarda da polícia militar do Rio de Janeiro, mané! Resiliente com turista, só faltou a água de coco.

Mercosul de cú é rôla.

Tomemos de volta o Uruguai e terão que aprender a ler e escrever português em 6 meses senão morrem, chacina em toda a população do Paraguai e tomemos toda a riqueza da Argentina na mão grande como os europeus fizeram por anos.

Nunca houve harmonia entre os países, vamos parar de hipocrisia. A Guerra do Paraguai nunca acabou senhores, sejamos francos.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

domingo, 8 de outubro de 2023

Palestina livre

Desde 1948 os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, praticamente tudo.

Nos dias que se seguiram ao anúncio da criação do "estado judeu", mais de 700 mil palestinos foram expulsos de suas casas, mais de 200 vilarejos foram ocupados, saqueados e destruídos com inúmeras cidades esvaziadas.

Os crimes de Israel são acobertados pelos EUA, que lhes fornecem apoio político, dinheiro e armas para matar palestinos. Nos EUA entra governo e sai governo mas a política em relação a Israel é sempre a mesma. 

Pouco se fala na imprensa (e isso influencia na opinião publica: vide a quantidade de bandeiras de Israel em "solidariedade") que por décadas Israel vem promovendo uma política de limpeza étnica e apartheid contra palestinos, numa clara violação do Direito Internacional.

O que significa dizer Palestina Livre?
#freepalestine

Uma pátria sem segregação, sem perseguição religiosa e sem racismo; sim é possível, pois este são os sentimentos e a vontade do povo palestino.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

Tchau, Árvore

Eu gosto muito de árvores. Minha mãe também gostava. 

Essa árvore era bem grande, na Praça Tiradentes. Há tempos estava doente no pé. Tempos. Era como se fosse minha. Eu queria ter árvores, mas não tenho. 

Eu passava, olhava sua grandeza, sua enorme sombra e desejava que ela aguentasse firme - bom, nessa terra de descaso a maioria só sobrevive aguentando firme. Quase todos nós cumprimos penas simplesmente por existir. 

Ontem não deu mais. Minha árvore disse adeus. Já, já, o rabecão a leva e ninguém vai se lembrar mesmo. Nossa vocação é o descaso e a indiferença. Na hora do óbito, os menos hipócritas - ou mais, conforme cada caso - escrevem posts emocionados, muito mais para aparecer do que por qualquer sentimento bom. 

Tchau, árvore. Obrigado por tudo. Eu gosto de você e não vou te esquecer.

TEXTO DE:

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Felipe Massa em Cheque

Felipe Massa decidiu; depois de 15 anos, reivindicar o título que perdeu na temporada de 2008 alegando sabotagem. Por meio de seu corpo jurídico já enviou notificações extrajudiciais as instituições que comandam a F1, que são elas: Federação Internacional de Automobilismo (comanda as regras esportivas e técnicas) e a Liberty Group (comanda os direitos comerciais).

Sabe o que vai dar isso? NADA!

Literalmente nada. Só será perda de tempo e dinheiro, por parte de Massa. 

O momento crucial para Massa ter tentado algo, seja por meios legais ou até uma tentativa de acordo era a temporada de 2009, ano seguinte ao escândalo quando Nelsinho Piquet; magoado por ter sido demitido da equipe Renault decidiu "vomitar" tudo o que aconteceu naquele pré e pós GP de Cingapura de 2008, onde ele foi, segundo Piquet, coagido a bater de propósito para beneficiar Fernando Alonso que tinha largado nas últimas posições, a ganhar aquele GP.

A moeda de troca para Nelsinho fazer tamanho asno era a promessa (cumprida!) de renovação de contrato para o ano seguinte. Em 2009 o escândalo foi feito, a Renault perdeu contratos de patrocínio, Flávio Briatore banido do circo da F1 e Nelsinho Piquet praticamente com as portas fechadas nas equipes, onde ele foi desbravar outros caminhos automobilísticos.

Reforço que Felipe Massa deveria ter agido com veemência naquele ano de 2009, estava tudo recente e no fogo da situação ele teria muito mais chances de pleitear algo.

Mas ele preferiu não fechar as portas, porque era isso que poderia acontecer com ele na medida que ele pleiteasse o título de 2008.

Ainda mais que Massa não perdeu aquele título naquele GP de Cingapura. Naquele mesmo GP, quando houve a batida de Piquet, Massa assim como todos do grid (exceto Alonso, que coincidência!) partiram para o pit stop, sendo que a Ferrari (equipe de Massa na época) errou grotescamente deixando presa no carro a mangueira de combustível.

Massa perdeu o seu título no GP da Hungria daquele ano, onde estava partindo para a vitória quando o seu motor Ferrari explodiu faltando poucas voltas para o fim da corrida. 

Portanto, o Massa fez uma temporada brilhante em 2008, ganhou o titulo por alguns segundos no último GP de Interlagos até o momento que Hamilton ultrapassou Timo Glock.

Massa merecia ganhar assim como Hamilton, pois aquela temporada foi de tirar o chapéu em termos de competição.

Mas o real campeão foi Lewis Hamilton. Não podemos ser pachequistas e não nos atentarmos aos fatos.

Em nada vai tirar os méritos do bom piloto que foi Felipe Massa, da carreira digna que ele fez na F1, poucos pilotos fizeram uma trajetória longuíssima como ele fez; junto com Barrichello foi os melhores pilotos brasileiros no pós-Senna. Massa tem que se largar desse passado e viver para frente.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

System of a Down

System of a Down (às vezes abreviado como SOAD ou System) é uma banda de metal alternativo armeno-americana formada em Glendale, Califórnia em 1994. É composta por Serj Tankian (vocais, teclados, guitarra), Daron Malakian (guitarra, vocais), Shavo Odadjian (baixo, vocais) e John Dolmayan (bateria).

O System of a Down teve sua grande chance em 1997 quando o mega produtor Rick Rubin, motivado pelo boca-a-boca em torno dos shows, assistiu à banda no Viper Room. Ele se impressionou o suficiente a ponto de oferecer assinar com o grupo para a American Recordings após uma quarta fita demo ser enviada para gravadoras.

O System of a Down se viu livre para botar as mangas de fora. Nenhum tema estava proibido: as músicas falavam sobre o genocídio armênio, extremismo religioso, escândalos de pedofilia na Igreja, programas de lavagem cerebral da CIA, além da cultura de drogas no Ocidente.

O álbum de estreia, também chamado “System of a Down”, saiu dia 30 de junho – antecipado pelo single “Sugar”, lançado 24 de maio. A capa trazia uma imagem tirada de um pôster antifascista distribuído pelo Partido Comunista da Alemanha e criado pelo artista visual John Hartfield. O pôster original carregava o slogan “Uma mão tem 5 dedos! Com esses 5 agarre o inimigo!”.

Ao longo dos dois anos seguintes, enquanto o nu metal ascendia ao mainstream, o System of a Down continuou a crescer graças ao seu disco de estreia, culminando no sucesso enorme de seu segundo álbum, “Toxicity”, lançado em 2001. 

O grupo seguiu essa onda lançando mais três trabalhos extremamente bem-sucedidos – “Steal This Album!” e a dupla “Mesmerize” / “Hypnotize” – antes de entrarem em hiato em 2006. Eles retornaram para shows aqui e ali, mas o legado já estava estabelecido.

Serj Tankian está sempre ocupado. Ele participou de uma revolução na Armênia, ajudou a trocar o governo do seu país por outro mais democrático em 2018, fez um filme sobre isso, reuniu o System of a Down após 15 anos para denunciar "crimes de guerra" do Azerbaijão em 2020 e também lançou um EP solo.

Ele admitiu que tentou gravar com o System as músicas do novo EP solo, mas não deu certo.

Defendeu o ativismo no rock e alertou que não basta "escrever e postar"; é preciso se envolver.

Falou de fãs que piram com "Chop suey" sem entender a letra veloz e lembrou que ele também não entendia as letras do Rage Against the Machine quando era mais novo.

Mas, depois de todo esse tempo, diz que fica chocado quando fãs rejeitam ou desconhecem seu ativismo nas letras.

Contou como o System voltou de repente com duas músicas após 15 anos, denunciando a "catástrofe humanitária" na guerra na Armênia.

Disse que essa volta aumenta a esperança de um disco novo da banda, mas não garante. Falou do elo com o Sepultura, a "explosão" do Rock in Rio, e riu do meme "System of a Dilma".


TEXTO DE:
Thiago Muniz

O Apocalipse Real e Atual

"Father, into your hands I commend my spirit..." (CHOP SUEY; System of a Down, 2001)


Vivemos num caos, onde num mesmo perímetro assisto uma pregação de um grupo neo-pentecostal enquanto metros a frente vejo um pitbull agonizando em estado pré-letal.

Vivemos no total abandono social e racial, onde quanto mais se alarma mais se vocifera o ódio com a certeza absoluta da impunidade. 

Vivemos no completo descaso público da inversão moral, onde vemos pessoas clamando por um prato de comida e um teto pra dormir com dignidade. Em vão. 

Vivemos no senso crítico da maldade gratuita, com pseudo-influenciadores destilando hostilidade com pessoas aleatórias na mais absoluta certeza da viralização virtual.

Vivemos no completo desânimo da pirâmide psico-social; com vertentes de ideias ressurgindo das margens do esgoto urbano. E o pior, angariando mais seguidores para o rito apocalíptico. 

Vivemos...


TEXTO DE:

Thiago Muniz

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Ali-Neymar e os 40 parças


Para inicio de conversa, Neymar deixou de ser garoto há muito tempo, desde que se tornou profissional. Somos protagonistas de nossas escolhas, independente se forem boas ou ruins. O Neymar tem consciência disso. Seja a saída conturbada do Santos, seja a saída voadora do Barcelona e agora praticamente um convite para se retirar do PSG.

Neymar é responsável pela sua imagem, e nestes últimos anos ele fez questão de não fazer um detox perante a opinião pública; ou ame ou odeie. É 8 ou 80. 

Um contrato de aproximadamente 90 milhões de euros com o Al Hilal vai torná-lo um jogador bilionário, vai encher a conta bancária maior do que já está. E pelas suas últimas atitudes públicas demonstradas em favor de um candidato explícito da extrema-direita, jogar futebol num país que não possui o mínimo respeito aos direitos humanos ao que parece não o abala. Vai para um país que nitidamente está fazendo uma lavagem de imagem para conseguir ser sede de Copa do Mundo. A Arábia Saudita copia os moldes de seu vizinho Catar, curiosamente dono do PSG, inimigos políticos mas nações comadres no quesito petro-business. A Liga Árabe condensada nos petro-dólares e com muitos craques oriundos da elite européia, ficará inflada e com bastante holofotes. Se isso será algo positivo para o mundo do futebol, só o tempo dirá. Essa movimentação árabe me lembra a movimentação pró-soccer na década de 70 quando simplesmente tirou Pelé da aposentadoria.

Neymar terá mais mansões megalomaníacas em seu patrimônio, jatos particulares para circular pelo mundo afora, festas profanas com seus parças e o que mais ele quiser da vida. Só não poderá voltar ao passado. E está tudo bem, afinal ele só receberia tudo isso em sua carreira se não tivesse algum dom no futebol. Mas que ele poderia ser maior do que é, isso poderia sim. 


TEXTO DE:
Thiago Muniz

sábado, 5 de agosto de 2023

Marlene Matos e Xuxa


Assisti ao quarto episódio do documentário da Xuxa no Globoplay. É um episódio praticamente focado numa conversa entre Marlene Mattos e Xuxa Meneghel. Um reencontro depois de 19 anos afastadas após um rompimento de uma parceria de quase 20 anos; muita estrada percorrida, muito status ganho, muito dinheiro recebido e claro, muitos desgastes acontecidos, até chegar ao rompimento.

Xuxa deixou bem claro que esperava que Marlene Mattos estivesse uma nova pessoa, achava que Marlene estivesse arrependida por atitudes do passado. E o que vemos no episódio? Marlene não abaixou a cabeça e a estima perante a narrativa de Xuxa. Marlene demonstrou um certo arrependimento em suas falas e declarações à Xuxa na discussão que resultou no rompimento total entre as duas, mas palavras são palavras, não tem como voltar atrás.

Sabemos que no final da história, perante a opinião pública a vilã da história acabou caindo nas costas da Marlene, afinal ela era avessa a imprensa, possuía uma responsabilidade imensa (diretora e empresária), tinha a missão de comandar uma equipe imensa em várias frentes de trabalho (TV, LPs, shows, CDs, DVDs...), criou padrões e sonhos que se tornaram obsessões para os fãs da Xuxa. Tudo isso se iniciou praticamente na incubadora da década de 1980, pré-final da ditadura militar numa emissora recém nascida como a Rede Manchete e depois migrou para o padrão de qualidade Globo. Se atualmente vivemos com o machismo no divã, criticando todos os passos e atitudes das mulheres, imaginemos como era a década de 80, onde a figura da mulher era tratada como um pedaço de carne. Marlene Mattos se viu obrigada a elevar o sarrafo tão alto que fez a Xuxa um mito para o seu público. E olhe que ela poderia ter sido maior do que é, mas não darei spoiler, assista ao documentário e vai entender.

A impressão que tenho é que Marlene foi a pessoa certas para assumir certas responsabilidades. Era a pessoa pra se sujar de lama, para desbravar no meio do mato para que Xuxa andasse pelas nuvens aos olhos dos fãs. Ela foi firme e rígida? Provavelmente sim, mas é como eu disse, o sarrafo estava lá em cima, e muitas pessoas aguentaram o tranco e assumiram suas responsabilidades.


TEXTO DE:
Thiago Muniz

terça-feira, 20 de junho de 2023

Uma Canção para Tom Waits

Quem tem paz? É difícil demais. Nesta noite gelada, de muito sofrimento no Rio, um cobertor pode salvar uma vida. Um chocolate quente. Um prato de boa sopa. Uma roupa digna. Tudo isso falta e deveria ser indigno achar isso normal, mas muitos o fazem por meio de um procurador: Deus.

Deus quis assim, Deus quer assado.

É uma farsa e uma covardia atribuir a Deus a escrotidão dos seres humanos.

Mas seguimos assim. Eu, por exemplo, nunca tive paz por mais de uma semana: sempre houve problemas feito cordas em meu pescoço, os mais diversos, então cheguei aqui meio sem planos ou rumo, perdido na multidão, sem pai nem mãe.

Além de tudo eu sou vítima da gordofobia, taquepariu: logo eu, que joguei muita bola na praia, que treinei tanto para a São Silvestre na madrugada, fiquei gordo demais. E sempre que posso eu como mesmo, porque já vi muitos sanduíches e salgados na vida que não pude comer, ora por estar duro, ora por precisar economizar, ora para sustentar minha família.

 Então agora que eu ando no fio da navalha, se puder como bastante. E daí que fiquei gordo?

Ninguém precisa gostar de mim, nem do meu corpo: quem fazia isso foi embora ou já morreu! Mas minha barriga não importa, eu quero falar que ainda sonho com uma semana de paz antes de morrer, um mês, já pensou um ano? A paz.

Paz. Ter onde morar, ter comida, algumas roupas razoáveis, os livros, os cds, os botões e um smartphone com wi-fi é o que basta.

Tanto faz o lugar: eu nunca mais vou voltar para casa como gostaria, qualquer casa serve. Queria paz. Andar na rua e ver as pessoas em paz, com algum conforto. Entrar na fila do restaurante e fazer meu prato em paz. Comer, pagar, caminhar e passear numa tarde de paz.

Admirar respeitosamente a beleza de uma garota que passa em paz. Ver lojas abertas com pessoas trabalhando tranquilamente. Carros passando sem se fecharem como se quisessem trocar socos. As calçadas limpas, sem sofrimento debaixo das marquises. As crianças passando tranquilas.

A paz é a grande fortuna e não é preciso ser milionário para tê-la, mas é impossível tê-la passando fome, miséria, dor, doença e violência.

A paz chama abraços e sorrisos, tudo ao contrário dessa cidade cabisbaixa, cheia de silêncios e desertos urbanos. Não existe paz com abandono. Não existe paz com falsidade.

Quem tem paz? É difícil demais. Nesta noite gelada, de muito sofrimento no Rio, a paz é escassa demais. Hoje um homem chorou sua jovem esposa morta pela polícia. Hoje traficantes e milicianos estupraram, agrediram e mataram.

 Hoje há bêbados e crackers miseráveis esperando a morte chegar nas ruas e ela, tão filhadaput@, demora a vir para que sofram mais.

Hoje eu tenho dor e desespero, mas não há nada a ser feito porque todas as poucas pessoas que eram tão minhas estão longe ou completamente mortas, mortas, mesmo que eu pense nelas o tempo inteiro.

Então escrevo para aliviar minha dor infinita, para suportar melhor a estadia neste lugar estranho e hostil, enquanto sonho com o impossível: um ano de paz, algo que nunca tive nem nos melhores momentos de minha vida.

E quem tem a verdadeira paz? Quem finge tê-la? Quem confunde paz com felicidade?

Esta é uma segunda-feira gelada no Rio, uma cidade de silêncios, desertos urbanos, opressão, miséria e crimes pavorosos.

Quem será que se preocupa com isso? Ninguém, meu senhor, é cada um por si e Deus está do lado de quem vai vencer.

A cidade não tem paz, é que as pessoas não têm paz nem quando na TV Chaka Khan canta Joni Mitchell.

Nem Chico Buarque tem paz.

O Fluminense não tem paz, senhor. Imagine os humilhados na linha de trem do Jacarezinho.

 Imagine o breu profundo da Automóvel Clube toda escura, com um camburão nas sombras.

Imagine a garotinha procurando comida na lata de lixo.

Há paz ou vivemos uma grande farsa protegida pela nossa escrotidão e egoísmo? Isso é voluntarismo, filhadaput@? Não. É dignidade, caráter, amor ao próximo, tudo que é tão desprezado nessa máquina de moer carne chamada sociedade de consumo.

Agora vou descansar. Eu não conheço a paz e a espero, nem que seja pelo gracioso beijo da morte. Tudo é inútil. 

*Contém citação de "O senhor da guerra", Renato Russo.


**Literatura não precisa ser autobiografia.


***Em vez de escrever "fique bem" ou "se cuida", é mais útil comprar meu livro novo. 


@p.r.andel

sábado, 17 de junho de 2023

A Cúpula do Golpe Tabajara

Em algum dia pós-eleições 2022 - Palácio do Planalto - dia

Jair estava assistindo na TV o programa do Sikêra Jr comendo farofa com leite condensado sentado na cama de seu quarto.

Mauro Cid bateu na porta do quarto para entregar os comprovantes de depósito da Michelle, e disse que teve uma grande idéia.

Disse que já tinha um roteiro pronto formatado para o golpe mas disse que precisava da sua autorização para executar.

Jair disse que adorou a idéia mas que daria uma resposta sem antes se consultar com Malafaia e Queiroz e Mauro Cid disse que iria revisar tudo.

Jair pede para Mauro Cid comprar pelo Ifood 2 Big Mac para Carluxo que estava trancado no Gabinete do Ódio e Laura, a Fraquejada chora copiosamente enciumada.

Mauro Cid vai para o salão principal e digita no Whatsapp o plano para dissolver o STF e o TSE.

Ligou para o Daniel Silveira, Hélio Negão e Marcos do Val; disse para eles sobre o plano e que planejava sequestrar Alexandre de Moraes e deixá-lo em Rio das Pedras para sempre.

Do Val teve a grande idéia de jogar uma fake news para a imprensa para despistá-los enquanto o plano era executado.

Enquanto isso Jair assistia ao programa da Fontenelle entrevistando Flávio 01.

Michelle liga para Mauro Cid pedindo dinheiro para comprar cigarro, Mauro Cid alega estar ocupado fazendo serviço para Jair, ela esperneia e ordena que ele saque o dinheiro no caixa eletrônico da Granja do Torto.

Mauro Cid nega o pedido. Michelle fez uma queixa-crime num posto da Polícia Rodoviária e manda prender Mauro Cid por insubordinação, Jair sabe do ocorrido em manda Michelle calar a boca.

A família se reúne no Palácio do Planalto e jantam arroz com leite condensado.

Alexandre Garcia pede uma entrevista exclusiva para Eduardo Bolsonaro, que o xinga dizendo ser da Globo infiltrado, Garcia nega e jura amor ao coronel Ulstra.

General Heleno chega vestido de pijama com uma carta de referência de Donald Trump recomendando o Conde Francisco da Zanzibar y Zanzibar Hernandez para ser o futuro primeiro ministro caso o golpe fosse consumado, mas Jair fica obstante com a idéia dizendo que Zanzibar já dominava muito bem o estado do RJ e que pra dominar o restante do país seria um perigo.


TEXTO DE:
Thiago Muniz

sexta-feira, 28 de abril de 2023

Decadence sans elegance

TEXTO DE: Antonio Gonzalez

Decadence sans elegance

Estarão os amantes (eu sou um deles) das músicas do Lobão dizendo que eu errei no titulo deste texto.

Afinal de contas, o nome da canção é “Decadence avec elegance”, que na tradução significa decadência com elegância.

O problema senhores é que o Fluminense incomoda.

Se sempre importunou a torcida arco-íris (criada em 1976, por ocasião do nosso jogo contra o Corinthians – jamais foi invasão) mesmo nos tempos de vacas magras, imagina agora que acaba de conquistar o bicampeonato carioca, que está voando na Copa do Brasil e na Libertadores, jogando não só o melhor futebol do Brasil na atualidade. Arrisco inclusive a dizer que, nos dias que correm, poucas equipes do mundo tem a organização e o volume de jogo do Tricolor.

Ora senhores, somos motivos de inveja.

E nesta semana, a ciumeira tem nome próprio: os torcedores (órfãos do euriquismo) do decadente Clube de REGATAS Vasco da Gama.

Isso é fato!

Começando pelo Jornalista Fábio de Azevedo, Professor Universitário, mentiroso que nos acusa de racismo. Pobre rapaz (que já alimentou a sua família graças ao dinheiro que ganhava quanto trabalhou na assessoria de imprensa do Fluminense)!

Como bem defini, um bobo que cuspiu no prato que comeu. Recebeu algumas aulas de História (uma delas de minha parte) que abriram os seus olhos para que clube realmente abraçou o Nazismo através de uma torcida organizada e o Fascismo – basta entender o que acontecia no Distrito Federal, nos anos 1930 e 1940.

Por outro lado eis que surge a figura do Engenheiro de Produção, Rony Meisler, CEO da Reserva, marca de roupas, que também nos acusou de racismo. Deu um chute na própria cabeça e um tiro no saco. De saída, perdeu o contrato que tinha com o Tricolor das Laranjeiras. Outro desinformado ou outro mal intencionado ou outro invejoso ou todas as respostas anteriores.

E me perdoem a piada, mas o CEO não serviu nem para ficar na RESERVA.

Mas o que está acontecendo com os vascaínos?

Tanto lhes incomoda o sucesso do Fluminense?

E para culminar hoje aparece o iluminado Fernando Lira, vulgo Zé Colmeia, figurinha carimbada como parça do Romário no início deste século. Para quem não sabe o significado de parça, eu explico: não passa de um bajulador, pessoa sem estofo e sem conteúdo.

Hoje, esse “inteligente cidadão” gravou um vídeo (produziu e divulgou prova material contra si) ameaçando de forma violenta a torcida do Fluminense, por causa da carga de ingressos que o Clube de REGATAS Vasco da Gama receberá para a partida do próximo dia 6 de maio, em que o Tricolor será o mandante. Alerta e prega o elemento que para que o jogo do 2º turno, se implante o terror contra os nossos torcedores na Barreira do Vasco, dizendo que “o terror começa na Cancela”.

O dia em que tamanho for documento, ser humano não corre de barata. Quem milita no meio dos movimentos organizados sabe que esse Zé Colmeia tem menos atitude do que qualquer Catatau.

Conclusão: No final da tarde o Clube de REGATAS Vasco da Gama, lança uma emotiva nota, onde literalmente pede arrego e exalta a paz no futebol.

Portanto meu caro João Luiz Woerdenbag Filho (esse é o nome do cantor Lobão), perdoe-me a ousadia, mas no caso do Clube de REGATAS Vasco da Gama a melhor definição é: “Decadence sans elegance”...

Ou seja:

DECADÊNCIA SEM ELEGÂNCIA!!!

No mais meus caros Fábio Azevedo, Rony Meisler e Zé Colmeia, fica o conselho:

FAÇAM O L.

quinta-feira, 6 de abril de 2023

Que Horas Ela Volta?

 

É recorrente ouvir que a empregada é “parte da família”, depois de tantos anos convivendo e criando os filhos dos patrões. Entretanto, quando as relações extrapolam os vínculos empregatícios o posicionamento do patrão sobre “quem dá ordens” e “quem recebe ordens” é bem claro.

Essa construção socioespacial da casa burguesa está intimamente relacionada às barreiras e divisões sociais, sendo desde sempre setorizada em área social, íntima e de serviço. A área social é destinada aos moradores e às visitas, enquanto a área íntima é o espaço privativo dos moradores, por onde os empregados circulam somente para servir e limpar. Na área de serviço estão todos os ambientes que garantem que a casa funcione: cozinha, lavanderia, estendal e o dormitório de empregados.

A luta do nordestino por um espaço, seja na cidade, na casa ou no ensino superior, é representada pela personagem de Jéssica de maneira muito assertiva: ao aceitar os convites para ocupar o quarto de hóspedes e se sentar na mesa de jantar na casa dos patrões da mãe; o foco para conseguir uma vaga na FAU-USP, um curso extremamente elitizado; até o enfrentamento aos mandos da patroa.

Um fluxo contrário aos processos de gentrificação, apresentado no enredo pelo exemplo de reestruturação do Largo da Batata, uma região historicamente marcada pela dinâmica comercial de famílias nordestinas que, após a “revitalização” da região, são expulsas para a periferia, onde os recursos são escassos, as condições de moradia são precárias e o acesso ao trabalho exige horas de deslocamento.

Com a luta pelo direito das trabalhadoras, que culmina na sanção da PEC das domésticas em 2015, a classe média é obrigada a se adequar aos novos tempos – a partir de então, ter uma empregada doméstica diariamente ficou inacessível para esse público e é mais frequente que contratem o serviço alguns dias por semana.

Assim, o “quartinho da empregada” fica cada vez mais raro no programa da casa brasileira, embora ainda faça parte das casas e apartamentos de alto luxo, para gente que acha fundamental ser servido 24h, em condições deploráveis: mal iluminado, mal ventilado, disfarçado de depósito para fins de aprovação do imóvel. 

"Que horas ela volta?” é um resumo da complexa dinâmica vida social brasileira ao longo do território, seja no âmbito da casa ou da cidade. Assistir ao filme é sempre um convite à reflexão!


TEXTO:

Thiago Muniz

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Ainda Vale a Pena


(Na foto, Falcão, Luís Pereira e Juari. Presentes da minha mãe em 1979, com seu salário de manicure).

Neste momento milhões de brasileiros estão tendo aquela que pode ser a sua única alegria do dia. A maioria do povo, aliás.

É impossível não torcer por eles e por mim mesmo, porque também sou um homem pobre, mais perto do fim do que do começo e também choro sempre. Tenho muitos motivos para isso, mas o principal deles é que não sou um escroque que só pensa em si. E qualquer pessoa que se preocupe com o próximo no Brasil acaba chorando.

No meio do caminho, tem os estudantes fuzilados, a moça que vai comprar uma roupa e some, os policiais assassinados, o desemprego, a fome, o caos. Está tudo na rua de qualquer grande cidade, só não vê quem enxerga com olhar hipócrita.

E por uma hora e meia o Brasil tem praticamente um cessar-fogo. Eu tenho um cessar-fogo no meu peito triste e doente.

Em 1970 eu era um bebê em casa e meus pais choravam porque meu tio estava preso, tomando porrada da ditadura num prédio que fica a 200 metros da minha casa.

Em 1978 eu saí à rua para pagar a mensalidade da escola no intervalo de Brasil x Argentina, na casa da diretora reaça. Uma chuva de papel picado na rua, linda.

Em 1982, andei com meus amigos pelas ruas desertas de Copacabana até a Lagoa, para jogar bola depois dos 3 a 2 da Itália. A bola caiu na Lagoa, sumiu rapidinho e voltamos desolados. Não havia um carro na rua.

Em 1990 a gente estava na casa do Luizinho. Nosso Xuru xingando o mundo inteiro depois do gol de Caniggia. A final de 1994 eu ouvi pelo rádio sozinho: não tinha dinheiro nem TV, no máximo esperança no futuro.

Em 1998, 2002 e 2006 em casa, com minha família. Foram tempos felizes. A de 2010 foi no trabalho - um jogo foi especial, já escrevi sobre isso. Em 2014, a festa foi bonita demais, apesar do desastre no campo: dava uma sensação de pertencimento ao país vendo as ruas, as gentes.

Agora, do jeito que dá, o futebol é algum bálsamo. A turma no botequim humílimo chorando - sim - com o golaço de CR7 no empate com a Espanha. Todo mundo vibrando com a Islândia contra a Argentina. E daí que a Coreia estava eliminada? O resultado aí está.

Eu não tenho compromisso algum com dirigentes corruptos, empresários de jogadores, jogadores deslumbrados, jornalistas pernósticos e prepotentes - que todos se explodam. O meu compromisso é com o gol, com o garoto do Alemão e sua camisa escrita a caneta, com os abraços, com a solidariedade, com os botões de panelinha, com a saudade da minha família. Se existe lama no futebol - e como há! -, a culpa não é dele mas sim de quem o controla ou tenta controlar - geralmente são os mesmos, que ninguém se iluda.

O mundo já está cheio de gente querendo decidir o que se pode ou não, mas que mal sabe de si mesma. O que eu quero é só uma horinha de alegria entre as lágrimas diárias. Penso nos ambulantes sorrindo agora, os trabalhadores humildes, os garotos sonhando em fazer um gol numa Copa. Eu já fui um garoto e sei bem o valor disso.

A Seleção venceu. Pode ter sido o penúltimo passo, pode ter sido o terceiro rumo ao hexa, pode ser qualquer coisa. Não importa: houve uma pequena felicidade, especialmente para quem quase nunca a tem. É como o amor, que vence até quando fracassa, pelo simples existir.

Ainda vale a pena.

EDTE TEXTO PERTENCE AO ESCRITOR PAULO-ROBERTO ANDEL


sábado, 30 de dezembro de 2017

Fim de Ano do Futebol Brasileiro

Reproduziremos aqui, o texto do "jornalista" Rica Perroni.

Todo ano eu me pergunto em dezembro onde estavam nos útlimos anos e eleições os clubes que hoje se lamentam pelo calendário.

Todo ano eu tento entender como 10 clubes podem achar ruim a cota de TV e só 2 estarem felizes sendo que 10 podem fazer um campeonato e 2 não.

Todo ano eu tento entender porque o torcedor é tão facilmente manipulado pela mídia que odeia a CBF e não percebe que tudo que está lá é meramente a representação oficial autorizada do SEU clube.

Há meses a CBF não tem presidente que possa sair do país. Algum clube foi lá cobrar da entidade o afastamento dele? Que houvesse nova eleição? Que algo fosse feito pela representação dos clubes?

Não.

Houve algum movimento entre os clubes para que a eleição na CBF seja ANTECIPADA após a suspensão do presidente? Não. Ela será ADIADA para que ele esteja de volta ao cenário político.

Nos últimos anos qualquer analfabeto entendeu que o sistema de corrupção, má gestão e favores do governo só existe porque é sustentado de baixo pra cima.  Não notaram que o futebol brasileiro tem um sistema político muito parecido e, portanto,  tem muita gente muda porque está feliz.

Seu clube, seja ele qual for, é cúmplice e hoje um dos mais covardes pilares do futebol brasileiro. Se há 12 "grandes" que se quiserem mudam tudo, sabemos de quem são.  E eles não estão muito preocupados com nada disso, apenas com qual jogador vão tirar do rival via liminar, ou talvez como vão eleger alguem mais próximo desse ou daquele dirigente.  Ou também, "pra que se indispor com o presidente e amanhã ter um pênalti não marcado?", como ouvi outro dia.

Não querem mudar. Não vão mudar.

A CBF passou pelo ano todo esperando uma atitude de fora pra dentro que pudesse intervir no absurdo que é ter um presidente que não pode exercer suas funções em sua totalidade e nem ter a dignidade de pedir pra sair enquanto nota ser um atraso pro futebol brasileiro.

Ninguém se mexeu. Nenhuma federação ou clube tentou mudar isso ou protestar contra o cenário.

E você realmente acha que seu clube é "vítima" de qualquer calendário, receita de TV, regras do jogo ou politicagem do futebol brasileiro?

Então tá.

abs,
RicaPerrone

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Nem Todo Maduro Tem Maturidade

Nós seres humanos temos vários tipos de idade: idade biológica, idade cronológica, psicológica, social, etc.
Tudo depende da forma com que analisamos uma pessoa.
A idade cronológica mostra por quanto tempo você habita a Terra, desde o dia do seu nascimento.
A idade biológica é a idade do sistema do seu corpo. Algumas pessoas maltratam tanto o corpo, que mesmo sendo jovens cronologicamente, parecem ter uma idade biológica avançada.
Eu mesmo já conheci jovens que de tanto fumar e beber, aparentam ter o dobro da idade. Isso porque seu organismo já está desgastado.
A idade social é a relação entre a capacidade de uma pessoa se adequar ao que se "espera" de sua idade.
Esse é o caso terrível, por exemplo, daquela senhora que tem 70 anos mas quer se vestir como uma menina de 20. Ou aquele senhor de 60 anos que quer paquerar garotinhas do ensino médio.
A idade psicológica é uma linha tênue entre todas as idades que eu citei acima.
Um jovem por exemplo pode se dar ao luxo da máxima "viva o momento".
Ele pode se dar ao capricho de viver o hoje com absoluta intensidade, sem se preocupar com as consequências posteriores.
Já os mais velhos, passam a ver a vida pelo aspecto do "quantos anos me restam", e ele passa a olhar para si mesmo de forma mais retrospectiva, analisando o que já fez no passado e pesando as consequências que isso acarretou.
Aliás, adora sempre revelar aos outros o quanto aprendeu na vida e adora dar conselhos que ele mesmo nunca seguiu.
Levando tudo isso em conta podemos concluir que maturidade é a capacidade de um ser humano lidar com as várias etapas de sua vida. Conseguindo conciliar as suas idades.
Isso sem nenhum conceito científico, porque não sou cientista, só estou discorrendo sobre uma loucura da minha cabeça.
Por isso existem muitas pessoas maduras que não tem maturidade.
Agem como crianças mimadas diante das situações diárias.
Não conseguem superar adversidades, querem ser bajuladas e mimadas o tempo todo.
Se magoam por qualquer besteira.
Portam-se como imbecis em relação a outras pessoas que pensem diferente ou que não concordem com alguma coisinha mínima.

Pessoas assim, traem, mentem, se fazem de vítima, e nunca conseguem mudar seu comportamento répobro.
Em geral são maldizentes, depressivos, caluniosos, encrenqueiros, malquerente, etc.

São, no melhor sentido da palavra: imaturos.

Destes é melhor manter distância.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Baleia Azul - O Jogo que Ninguém Ainda Entendeu

Distúrbio depressivo maior (DDM) ou transtorno depressivo maior, conhecido simplesmente como depressão, é um distúrbio mental caracterizado por pelo menos duas semanas de depressão que esteja presente na maior parte das situações. É muitas vezes acompanhado de baixa autoestima, perda de interesse em atividades de outra forma aprazíveis, pouca energia e dor sem uma causa definida.
Lido isso acima, você pode tomar dois caminhos: o primeiro é o de levar a coisa a sério e tentar resolver o problema, a outra, simplesmente se refugiar no bom e velho "é modinha".
O até então desconhecido jogo Baleia Azul , criado na Rússia, está demonstrando claramente o quanto nós brasileiros desconhecemos sobre o assunto, ou o quanto simplesmente preferimos não se importar com o assunto.
Neste jogo, jovens são convidados a realizarem desafios escolhidos por "mentores" que administram o tal jogo. Os desafios são os mais variados, desde assistir filmes de terror a noite sozinhos, até a marcar o corpo com facas ou tesouras.
Mas o último desafio, é o suicídio.
Na Rússia, o caso veio à tona quando três jovens se suicidaram, e deixaram pistas em suas páginas de rede social. A principal: uma delas postou a foto de uma baleia azul junto com a palavra FIM.
As autoridades russas então acabaram descobrindo essa terrível ferramenta virtual.
Após isso, suspeita-se que o jogo tenha sido responsável por mais de 130 mortes entre Novembro de 2015 e Abril de 2016. Claro, as autoridades não confirmam.
A verdade que assusta e muitos querem negar, é que este jogo pode existir a mais tempo do que se imagina e talvez já tenha sido responsável por um número ainda maior de mortes.
 
Na realidade, o que realmente assusta são algumas coisas que podemos pensar se deixarmos a ignorância de lado. Vamos a algumas delas:
1 - Se os criadores do jogo conseguiram "voar abaixo do radar" e permanecer tanto tempo desconhecidos pelas autoridades, trata-se de um grupo profissional e que sabe o que está fazendo.
2 - Quando alguns órgãos de imprensa tentaram entrar em contato com "mentores" do grupo, receberam uma ou duas missões, e logo foram descartados e nunca mais respondidos. O que pode significar que eles sabem identificar possíveis vítimas potenciais e sabem descartar aqueles que não servem ou que podem colocar em risco seu trabalho.
3 - Eles ameaçavam jovens que tentavam desistir, roubando informações dos próprios computadores das vítimas ou usando a própria Internet para buscar informações sobre a vítima. Eles através da rede social descobriam nomes de pais, irmãos, etc. e depois através de páginas como SPC, SERASA, Receita Federal, ( ou os órgãos equivalentes em outros países ), para chantagear as vítimas.
Estes são fatos a serem pensados e estudados.
 
FENÔMENO NO BRASIL
Infelizmente no Brasil um número enorme de pessoas vive na crença de que toda e qualquer situação se resolve com uma "frase forte e de efeito".
No caso em questão, quando se questiona o assunto de suicídio entre adolescentes, geralmente ouvimos: falta de apanhar, modinha, os jovens de hoje não querem saber de nada, mata-se quem quer, etc. É mais fácil dizer uma "verdade" fácil, do que encarar o assunto.

Tomemos um exemplo: se uma mãe sofre de depressão pós-parto e atenta contra a vida da criança ou contra a sua própria, o que você diria?
Que a depressão é um caso perigoso e deve ser diagnosticado e tratado, ou que a mãe não passa de uma "à toa" que se não queria filho por que engravidou?

Se um idoso é abandonado por seu filhos, filhas, noras, genros, netos e passa a morar vários anos sozinho, e acaba se matando enforcado, você diria que ele não aguentou a rejeição e depressão, ou diria de imediato "esse devia ser tão ruim que nem a família queria saber dele".

Cada caso tem sua particularidade, porque cada ser humano é um indivíduo único em meio a milhões e milhões de iguais.

Mas quando se trata de um jovem, jamais se importamos se ele demonstra isolamento social, tem poucos amigos, se sente diferente ou inferior aos seus colegas de escola, se prefere ficar sozinho em seu quarto ao invés de estar com seus amigos ou familiares. Resolvemos a questão com: "também, ficava jogando esse jogo violento, por isso fez essa bobagem".
E isto passa a ser uma verdade, mesmo que a estatística aponte que um número insignificante de jogadores de Doom saiam por ai matando ou cometendo suicídio. Você já resolveu a questão, se refugiando no seu mundo maravilhoso de frases fortes.

No fundo, nenhum pai gosta de encarar o fato de que seu filho possa não ser "normal", e que precise de um psicólogo ou psiquiatra.
Eles preferem dizer: isso é coisa de jovem, já passei por isso.
MAS NÃO! Nunca passou. Sequer sabe pelo que este jovem está passando.

Eu poderia ficar a vida inteira tentando escrever aqui, fatos, números, estatísticas que podem fundamentar o que estou tentando dizer, mas de nada adiantaria.

Alguns vão ler e chamar esse texto de "conversa fiada" e dirão que no tempo deles resolvia-se com uma surra ao invés de um psicólogo.

E é por isso que termino apenas dizendo:

É por isso que hoje seus filhos estão morrendo dentro de casa.

Porque você teve de seus pais disciplina, carinho, firmeza, orientação, auxílio, mas agora simplesmente na hora de repassar tudo isso ao seu filho, você prefere ao invés de ser pai e assumir suas responsabilidades, se refugiar na sua "frase forte":
No meu tempo eu resolveria com uma surra!

A culpa não é do jovem que não se interessa por nada.

A culpa é nossa, que não soube criar os filhos, o que não se importou com eles e agora se esconde da responsabilidade dizendo: eu não fui criado assim.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Entrevista com Abraham Lincoln


Abraham Lincoln
Há algum tempo atrás, me decidi a escrever um artigo sobre o presidente Abraham Lincoln.
Porém, a quantidade de informações sobre ele, e sobre todas as pessoas que o cercavam foi tão grande que acabei confessando a uma pessoa:
- Não há a mínima chance de escrever um artigo sobre Lincoln, pois o mínimo que eu poderia fazer era escrever um livro, tamanha a complexidade psicológica dele e de todos os envolvidos nos últimos anos de sua vida.
Mary Todd Lincoln, John Wilkes Booth, William H. Crook, Ward Hill Lamon, Ulysses S. Grant, Edwin Stanton já mereciam um livro cada um, para sermos justos.
Como não me dei por satisfeito, resolvi eu mesmo ir ao encontro do presidente Abraham Lincoln em sua mesa na Casa Branca e entrevistar aquele que seria conhecido como o maior presidente da história dos EUA.
Allan Pinkerton, Lincoln e John A. McClernand, 3 de Outubro, 1862
O ano? Era 1865 da graça de nosso Senhor Jesus Cristo. O dia? 14 de Abril. A hora exata? Um pequeno intervalo entre 14:30 e 15:00.
Logo após uma reunião entre o presidente e o General Grant, o Coronel Porter, Seward ( filho ), Welles, John P. Usher, McCulloch, Dennison, o procurador Speed e o secretário de guerra Stanton.
E antes que o capelão Neill, fosse expulso por Lincoln de sua sala as 15:00 horas.
Quando estes senhores saíram da sala após a reunião, eu me aproveitei do fato de que a Casa Branca permanecia de forma descuidada, com várias portas abertas, facilitando que uma tropa de caçadores de favor chegassem mesmo até o presidente, e entrei sorrateiramente.
William H. Crook estava acompanhando todos para fora, e permaneceu uma fração de segundo de costas e eu entrei.
Ward Hill Lamon
- Senhor presidente. Preciso lhe falar.
- Ora, filho, se é assim que eu devo morrer, vá em frente.
As informações sobre a certeza de Lincoln sobre o fato de que tentariam mata-lo a qualquer momento foram confirmadas.
- De forma alguma, senhor presidente. A única coisa que tenciono matar aqui, é a minha curiosidade.
Ele veio até mim, e deu um forte aperto de mão. Era muito mais alto que eu, e estava sem a cartola, o que para mim era decepcionante.
Expliquei que possuía um Blog, e que na tentativa de escrever sobre ele, não tive outra alternativa a procura-lo pessoalmente.
Ele me ofereceu a cadeira e se sentou do outro lado da mesa, e me fez sinal com a cabeça para que iniciasse a entrevista.
EU: Afinal, qual sua opinião sobre a guerra?
AL: Os dois lados eram contra a guerra, mas um deles preferia fazer guerra a deixar a nação sobreviver e o outro lado aceitou a guerra para não deixar a nação perecer.
EU: De que lado está o senhor?
AL: Os dois lados leem a mesma Bíblia e oram para o mesmo Deus. Eu estou do lado que não ora para Deus ajudar a continuar ganhando o seu pão através do suor de outros.
EU: E sobre a escravidão? Acha que um dia chegará ao fim?
AL: Enquanto eu viver, no meu país ninguém colocará um grilhão na perna ou no braço de nenhum homem por causa da cor de sua pele.
EU: O senhor sabe que mesmo dando a eles a liberdade, não poderá permanecer para sempre como um herói para eles. Eles precisarão encontrar um ícone negro para a sua causa. Isso o incomoda?
AL: Não me importa se um dia não mais se lembrarem de quem eu fui. O tempo mostrará se eu estava certo ou errado. Se o que eu faço agora é errado, nem dez anjos jurando a meu favor, vão mudar isso. Mas se for certo, mesmo que eu seja esquecido, minhas ações permanecerão.

Ele dizia isso tudo, olhando pela janela com uma expressão mista de tristeza e cansaço. Mas sorriu quando fiz minha próxima pergunta.

EU: Stanton te atrapalha muito?
AL: Ele é a rocha onde a arrebentação bate. Acho que nem mesmo eu aguentaria estar no lugar dele durante esta guerra.
EU: Você odeia mais o congresso ou os confederados?
AL: Prefiro um homem que lhe enfrenta cara a cara com uma pistola, do que gente que se esconde em mesas de carvalho.
EU: O que deseja para o futuro dos EUA?
AL: Acabar com a guerra é um começo. Ver todos os homens livres é outro passo. Depois quem sabe voltar a advogar.
EU: A senhora Lincoln concorda com isso?
AL: Claro que não. Mas eu pretendo antes disso, talvez, tirar um tempo e viajar com ela pela Europa, para descansar de tudo isso.
EU: Algum lugar em especial que queira visitar?
AL: Não há nenhum lugar que deseje tanto ver como Jerusalém. Visitar a Terra Santa e ver aqueles lugares santificados pelos passos do Salvador. ( ele repetiu essas palavras para a esposa, foram suas últimas inclusive, antes de ser baleado, e isto foi confirmado pela Srª Lincoln ao pastor Noyes W. Miner em 1882 ).
EU: A Srª Lincoln lhe fornece uma quantidade boa de problemas não é mesmo?
AL: Ela é a melhor mulher de todas. A morte de nosso filho talvez a tenha transtornado a ponto de pensar em coloca-la em um hospício, mas se eu ficasse longe dela, talvez quem ficasse louco fosse eu.

Neste momento, olhando a hora, soube que não poderia falar com ele por mais tempo, e arrisquei uma última pergunta que talvez não devesse.

EU: O senhor conhece um ator chamado J. W. Booth?
AL: Oh, sim, eu o assisti uma vez em 1963, no teatro Ford. Ele estava na peça "The Heart Marble", e me pareceu espetacular no papel. Enviei um convite certa vez para ele vir até a Casa Branca, mas acredito que não tenha chegado até ele.

Naquele momento, tive vontade de dizer-lhe que não deveria ir ao teatro naquela noite, talvez até implorar que permanecesse em casa. Mas eu não podia intervir no destino. Estava fora do meu alcance.
Me despedi dele com outro aperto de mão. Ele me acompanhou até a porta e Crook me olhou desconfiado.
Sai pela rua e vi John F. Parker indo para um bar. Ele chegaria 3 horas atrasado para render Crook aquele dia e deixaria a porta do camarote presidencial para ir beber novamente aquela noite. Meu estomago embrulhou.
Permaneci sentado ali, olhando as pessoas anonimas que em poucas horas iriam estar lotando as ruas em busca de alguma informação sobre o presidente.

Finalmente tomei coragem para ir embora. Eu não poderia estar ali, no momento em que as coisas acontecessem, pois eu não pertencia aquele lugar, nem mesmo aquela época.

Quando subi no meu trem para partir, notei que eram dez horas e sete minutos da noite. Algumas lágrimas nasceram nos meus olhos.
Quando o trem partia devagar pelos trilhos, mesmo que ninguém mais tivesse escutado, eu juro que pude ouvir um som seco como um pequeno saco de papel estourando e dois minutos depois o som de cascos de um cavalo em disparada.

Voltei ao nosso tempo. Nada havia mudado.
A história jamais mudaria, mesmo que nós desejássemos fervorosamente.

Nunca mais eu veria o senhor Abraham Lincoln.
Em vida.
Pois com certeza, quando todos nós houvermos atravessado aquele velho rio e encontrado com nosso Senhor JESUS CRISTO, eu teria prazer em visitar o senhor e a senhora Lincoln.
Se assim me for permitido.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A Persistência da Violência Contra o Enem na Sociedade Brasileira

Uma simples redação para uma prova de Enem, e você descobre que o brasileiro é capaz de causar violência até mesmo contra o bom senso e a inteligência.
Na verdade se fosse limitada toda essa polêmica apenas no tema da redação, eu até poderia ficar sem ser obrigado a postar nada por aqui, mas infelizmente eles romperam as barreiras.
O fato é que surgiu uma questão sobre uma filosofa francesa que eu confesso nunca tinha escutado falar. Sim, acredite, eu não sou tão intelectual quanto pareço, e você pode ver isso pelas minhas postagens desde o nascimento desta página.
Ela um dia falou que "mulher não nasce mulher, mas que a sociedade e todo o blá-blá-blá da sociedade transforma um ser castrado em mulher".
Muitos trogloditas logo acusaram se tratar de uma lésbica maluca que defendia ideias neo-anti-bolsonarianas, mas na verdade esse seu pensamento não se referia exclusivamente a homossexualismo mas realmente a todo esse blá-blá-blá citado acima, e que também não vou ficar aqui enumerando.
Resumindo, quando eu soube que haveria a prova do Enem ( que nem sabia que ia ser feito esse mês ), deitei minha xícara de café com avelã na mesa e disse a minha esposa:
- Qual será a polêmica deste ano neste tal Enem?
A verdade é que sempre desconfiei que existia um grupo anônimo de mal-intencionados que sonham com o fim do Enem.
Se são donos de faculdades, se são os iluminatti, se são até mesmo os klingons, eu não sei.
Somente sei que desde a criação do Enem, houveram roubos de gabaritos, falsificação de provas, escutas eletrônicas, ciborgues realizando provas no lugar de alunos, partos dentro das salas, aparições de fantasmas, abduções alienígenas, ataques zumbis, viagens no tempo, e o Tom Cruise explodindo tudo e dizendo "missão cumprida"...
Diante deste quadro brutal que se repete ano após ano, deixando um legado de memes de alunos ficando do lado de fora do portão, nasce uma questão muito séria e que deve ser respondida pelos especialistas.
Quem sabe esse até não pode ser o tema da redação do Enem 2016?
Então, me digam:

Até quando vai persistir essa violência contra o Enem na sociedade brasileira?

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

De Flu, São Paulo, Fred e Fraternidade

Em 1993, eu então com 14 anos de idade, via o São Paulo FC chegar ao seu segundo título mundial de clubes de forma consecutiva.
Batia eu no peito e dizia que era torcedor do São Paulo FC. Foram anos de alegria e de glória.
Mas no ano seguinte, 1995, meus pais se separaram.
O que isso tem de haver com isso?
Nada!
Ou tudo!
Meu irmão e eu, sempre fomos muito unidos em tudo. Até mesmo nos momentos em que tramávamos os mais elaborados planos para confiscar R$ 1,00 da carteira do meu pai, sem que ele soubesse.
O que levava dois irmãos a criarem os mais inusitados planos para chegar até a carteira do pai e conseguir "se apossar" dessa fortuna?
Na época R$ 1,00 equivalia a 4 ( isso mesmo 4 ) fichas de fliperama!
Cansamos de morrer nas mãos de Tyrog, em Cadillacs and Dinosaurs, graças a estes 4 pequenos objetos de metal.
Até que a fase dos fliperamas acabou.
É necessário dizer que eu carregava comigo um costume que herdei do meu pai: ele se dizia Santos FC em São Paulo e Flu, no Rio de Janeiro.
Motivo: o Santos era sua paixão desde menino por causa da era Pelé, e a paixão pelo Flu veio por causa da proximidade que ele acabou tendo com o estado do Rio de Janeiro porque minha mãe é carioca.
A exemplo dele, eu era São Paulo por causa de Palhinha, Raí, e Zetti, mas ao mesmo tempo era Flu no Rio de Janeiro.
Foi nessa época que aqui no meu estado do Mato Grosso do Sul, a TV Band, passou a transmitir o campeonato carioca nas tardes de sábado e noites de quinta-feira. Quartas e domingos era dia de Corinthians...
Então, novamente a união entre meu irmão e eu entrou na história.
Meu irmão é flamenguista, e consequentemente, não poderíamos "disputar" o carioca com o São Paulo FC, foi aí, que para ter como disputar de forma justa no nosso Snes, ele sempre jogava com Flamengo de Romário e eu passei a jogar com o Flu do fraco Super Ézio.
Sim, fraco! Porque Flamengo tinha Romário, Fogão tinha Túlio Maravilha e Vasco tinha Valdir Bigode.
Para piorar naquele ano Ézio iria para o Galo Mineiro, e teríamos que se virar com o folclórico Renato Gaúcho...
Então veio a desgraça!
Em 1996, o Flu terminou rebaixado ao lado do Bragantino, porém os dois não disputaram a Série B em 1997, porque o escândalo Ives Mendes criou uma bagunça.
Descobertos tramando resultados Petraglia ( Atlético PR ) e Dualib ( Corinthians ), acabaram sujando a história daquele campeonato.
Para desviar o foco e não punir os dois clubes ( Atlético PR chegou a ser formalmente suspenso por 1 ano, mas não cumpriu ), resolveu-se cancelar o rebaixamento naquele ano.
Por quê?
Porque se punidos, Atlético PR e Corínthians teriam de jogar a Série B de 1997, então, a Imprensa resolveu jogar a culpa em Flu e Bragantino, acusando-os de virada de mesa.
Mas em 1997, o Flu resolveu "fazer justiça" e acabou novamente rebaixado ao lado do Bahia, Criciúma e União São João.
E não se dando por satisfeito, em 1998 acabou cando para a Série C.
Esta foi uma época de puro apagão.
Na época eu não tinha Internet, e não sabia nada que acontecia com os times que não estivessem na Série A.
Em 1999 só sei que o Flu ganhou a Série C.
Mas foi neste campeonato brasileiro, que o São Paulo ( olha a coincidência ), escalou um jogador ( Sandro Hiroshi ) de forma irregular e acabou perdendo pontos para Bota Fogo e Internacional.
Isso fez com que o Gama do Distrito Federal fosse rebaixado no lugar do Bota Fogo do Rio.
o Time de Brasília entrou na justiça comum, e a CBF acabou proibida de organizar o Brasileirão de 2000.
O Clube dos 13 assumiu esse papel.
Veio então o Brasileirão 2000 ( Taça João Havelange ) com 116 times divididos em 4 módulos.
Então o Flu fez uma campanha muito boa e depois disso não caiu mais.
Com exceção do caso 2013, que não vou falar sobre o caso porque envolve o Flamengo do meu irmão e a Portuguesa ( que eu peguei simpatia por causa do time que perdeu a final pro Grêmio, na época do exílio do Flu ).
Mas afinal, onde isso tudo que eu escrevi quer levar?
A um fato que pode parecer irrelevante, mas que para mim tem uma importância enorme.
Vocês lembram que eu falei que na época em que passei a seguir o Flu, ele era o único grande do Rio que não tinha um ídolo?
Você pode até questionar sobre o valor de Super Ézio e Renato Gaúcho, mas a verdade é que ficou no meu inconsciente uma orfandade em relação a Valdir, Romário e Túlio.
Tenho que dizer que larguei o São Paulo de estrelas como Raí e Palhinha e até Juninho Paulista, porque na época de 1995/96, alguns colegas de escola pressionavam sobre o fato de ter dois times, um em cada estado.
E como o São Paulo estava em alta e o Flu, em baixa, e também por causa "das estranhas tabelas que o goleiro Maizena ( América RJ ) fazia com o ataque do Flamengo" como diria o maravilhoso Januário de Oliveira, acabei escolhendo de vez o Flu.
Talvez seja a primeira vez na história da humanidade que um flamenguista acabou ajudando a criar um tricolor.
Faltava alguém para se tornar um tipo como Rogério Ceni era para o São Paulo, ou o Totti era para o Roma, e ainda são...
Então veio a Revolta de 2009!
Neste ano matemáticos, especialistas, jornalistas e até quem não gostava de futebol já dava o Flu como rebaixado ( de novo? ) pelo Brasileirão.
Mas em Março daquele ano, havia chegado ao Fluzão o atacante Fred, vindo do Lyon da França. Ele tinha sido jogador do modesto América MG e do Cruzeiro antes de ir para a França.
Ele veio com grande estardalhaço, mas se machucou e ficou grande parte daquele Brasileirão no estaleiro.
Mas voltou na reta final, como se substituído por um outro Fred.
O Fred do Lyon que havia chegado em Março, havia sido trocado pelo Fred que voltava em Outubro, e foi um dos responsáveis pela maior façanha de um time de futebol do mundo.
No dia 10 de Outubro de 2009, o estádio Bruno José Daniel viu o nascimento de um jogador que se colocaria na posição de tirar a orfandade de mitos do Fluminense.
Entre 10 de Outubro e 6 de dezembro, foram 13 gols em uma sequência de 11 vitórias, 4 empates e apenas 1 derrota.
O time além de permanecer na Série A, ainda foi vice campeão da Copa Sul-Americana.
Depois disso, Fred foi campeão em 2010 e 2012, pelo Flu.
Teve altos e baixos assim como já teve Totti no Roma, e Ceni no São Paulo.
Mas para mim, é sem sombra de dúvidas o maior mito da minha fase Fluminense.
Você pode até dizer que há outros mitos maiores do passado, e tudo o mais, mas precisa entender que eu só fui conhecer mais de perto o Fluminense de 1995 para cá, e por essas razões descritas.
Não fosse a proximidade com meu irmão, não fosse nossas noites de quinta em frente a uma TV velha assistindo os medonhos Flamengo e América ou Fluminense e Bangu, talvez até hoje eu estivesse assistindo o São Paulo de Pato e Ganso.
Só faltou dizer uma coisa: meu irmão e eu nunca conseguimos passar por Tyrog em Cadillacs and Dinosaurs.
Mas um dia ainda acharemos esta máquina e faremos isso.
E que mesmo com parte da torcida ainda torcendo o nariz para ele, que Fred fique muitos e muitos anos no Fluminense.
E que meu irmão e eu tenhamos muitos e muitos reais para comprar fichas o suficiente para vencer o perigoso Tyrog...