Mostrando postagens com marcador Thiago Muniz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Thiago Muniz. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Basta de incêndios no Carnaval

Volta e meia vemos no cenário do Carnaval do Rio de Janeiro incêndios em barracões e/ou fábricas que confeccionam fantasias e utensílios para os desfiles das escolas de samba.

Seja nas escolas do grupo Especial, como aconteceu na Cidade do Samba há alguns anos atrás, seja o que aconteceu recentemente numa fábrica no bairro de Ramos, região da zona norte da cidade.

Precisamos emitir esse alerta e debater pois o universo do Carnaval está cada vez com maiores recursos para provimento do espetáculo e deve-se ter um maior profissionalismo em sua cadeia logística.

Os holofotes do mundo estão com maior visibilidade ao Carnaval do Rio de Janeiro e certos pontos não podem acontecer mais, como por exemplo condições sub humanas de estrutura nos barracões das escolas e ateliês parceiros, deve haver um protocolo rigoroso de segurança junto ao Corpo de Bombeiros para que não se tenha essa perda de ativos de maneira tão rápida.

Outro ponto são as condições de trabalho aos profissionais envolvidos, como pragas, incêndios e sujeira são apontadas como parte da rotina nesses espaços atualmente; o fogo ocasionado na fábrica é o atual retrato das condições dos trabalhadores do Carnaval.

Nos últimos anos, um festival de desapropriações e de incêndios suspeitos têm feito parte de rotina destas agremiações da série Ouro, que possuem um orçamento de algo em torno de dez vezes menor do que de uma escola do grupo Especial, passarem por momentos de desespero.

Localizados na Zona Portuária, em antigos galpões próximos à moderna Cidade do Samba onde abriga as escolas do Grupo Especial, os barracões destas agremiações sofrem, há muitos anos, com a falta de estrutura física e a insegurança jurídica sobre as permissões de uso.

A solução mais viável e que deve ser sanada com o tempo será a construção da Cidade do Samba 2, onde será localizado na antiga Estação da Leopoldina.

Segundo o prefeito Eduardo Paes, as obras ainda estão bem no inicio com previsão de inauguração para 2027, porém depois de mais uma tragédia há a possibilidade de intensificarem e quem sabe inaugurarem com antecedência. 

O Carnaval merece essa atenção de todos e enterrar de vez o amadorismo em sia cadeia de produção.


TEXTO DE:

Thiago Muniz

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Carnaval 2025 - Viradouro

MALUNGUINHO

“A chave do cativeiro, virado no Exu Trunqueiro

Viradouro é catimbó, Viradouro é catimbó

Eu tenho corpo fechado, fechado tenho meu corpo

Porque nunca ando só, porque nunca ando só”

(Refrão Viradouro 2025)

Em busca do quarto título, a Unidos do Viradouro levará “Malunguinho: O Mensageiro de Três Mundos” para a Marquês de Sapucaí ao contar a história da entidade afro-indígena que se manifesta como Caboclo, Mestre e Exu/Trunqueiro.

Com assinatura de Tarcísio Zanon, o enredo retorna a primeira metade do século XIX, no estado de Pernambuco, no nordeste brasileiro, onde o quilombo do Catucá era foco de resistência e viu seu último líder, João Batista, o Malunguinho, ser duramente perseguido por seus atos libertários.

Malunguinho é uma entidade afro-indígena que aparece em terreiros de Umbanda, Catimbó e Toré, principalmente no Nordeste do Brasil. Ele é inspirado na figura de João Batista, líder do Quilombo de Catucá.

Malunguinho é representado como um caboclo, mestre e exu. Ele é o dono da chave mágica para abrir senzala e fechar o corpo de quem pede proteção.

Malunguinho era conhecido e temido por todos os senhores brancos, pois tinha a coragem de libertar escravos abrindo portas de cativeiros e senzalas, destrancando correntes que aprisionavam os seus irmãos de cor.

Como se sabe, onde havia escravidão no Brasil havia fugas, tanto individuais como em grupo. Mas um quilombo de verdade é uma comunidade com um mínimo de estabilidade, exigindo para isso grande capacidade de organização e adaptação.

Imagine um líder quilombola lutando contra senhores de escravos e tropas imperiais na primeira metade do século XIX.

Seu nome? Malunguinho.

E em 1827, o governo da província de Pernambuco colocou sua cabeça a prêmio, na maior operação contra quilombolas na região, desde a destruição de Palmares, em 1695.


TEXTO DE:

Thiago Muniz

Carnaval 2025 - Beija-Flor

LAÍLA

“Da casa de Ogum, Xangô me guia

Da casa de Ogum, Xangô me guia

Dobram atabaques no quilombo Beija-Flor

Terreiro de Laíla, meu griô”

(Refrão Beija-Flor 2025)

O samba de enredo em homenagem a uma figura pública, só o samba mesmo, que tem melodia e cujos versos expressam perfeitamente o homenageado, igual ao que os compositores montaram sobre o Laíla eu nunca vi.

Quem não teve o prazer e o privilégio de conhecer um dos maiores nomes dos desfiles de Carnaval, porque ele nunca teve a projeção de um Chico Buarque, Maria Bethânia, pode não ter a dimensão. Está tudo ali.

Laíla não é o maior nome do samba. Muito menos o maior do Carnaval. Mas dos desfiles de escola de samba, se ele não é o Pelé, não sei quem seria. Sobre a dinâmica dos desfiles de escola de samba, é disparadamente o maior. E sem o reconhecimento que deveria.

Em seis décadas de desfiles ele foi ferreiro, costureiro, aderecista, chapeiro, escultor, passista, compositor, cantor, mestre de bateria, diretor de bateria, carnavalesco, diretor de harmonia, diretor de Carnaval, produtor, cozinheiro, garçom, empurrador de alegoria, criador de caso e gênio. E essa opinião não é só minha: Fernando Pamplona e Joãosinho Trinta, gigantescos do talento e vaidade, admitiam que Laíla era imbatível.

E se Laíla é o Pelé dos desfiles de escola de samba, Neguinho da Beija-Flor é o Garrincha, que não tem a mídia do Messi e do Cristiano Ronaldo, mas é coisa de doido.

Como diz o jornalista João Alberto Safadi: “Laíla para reconduzir os caminhos da Beija-Flor”.

 Uma história de amor e reconciliação.


TEXTO DE:

Thiago Muniz

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Renato Aragão 90

A melhor homenagem que uma pessoa possa receber na minha concepção deve ser em vida, frente a frente, cara a cara, com a pessoa se emocionando.

E quando se chega a 90 anos com lucidez a pessoa se sente lisonjeada com uma homenagem, com a sensação de dever cumprido, com um marco na história.

Renato Aragão ao criar o personagem Didi, criou o seu alterego artístico. Um personagem tipicamente brasileiro; nordestino, retirante, emigrante, circense, sobrevivente e renegado nas ruas.

O criador do grupo “Os Trapalhões”, o cabeça do quarteto, aquele que formatou e roteirizou o programa na TV e aquele que botou a cara na criação dos filmes, sucessos de bilheteria.

A sua arte combinou com a época e as gerações abraçaram com afinco. Teve a sorte de ter mais 3 companheiros que formaram o quadrado mágico dos domingos à noite de audiências estúpidas e de shows lotados.

A benevolência de Dedé Santana com a malandragem de Mussum e o talento primoroso de Zacarias.

Muita saúde para Renato Aragão!

TEXTO DE:
Thiago Muniz

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

A Guerra do Paraguai nunca acabou

Eu vejo como a polícia brasileira é muito resiliente com turista e extremamente opressora com a sua própria população, ainda mais se a melanina ter trabalhado mais na pele do cidadão; se for pobre então a opressão piora.

Novembro de 2023; torcedores argentinos fizeram o rebu em Copacabana, a mídia batendo palmas fazendo alusão a invasão corintiana de 1976 e o que fizeram foram arruaça e pancadaria sem nenhum romantismo em torno. Alguém foi punido? Ninguém pra contar a história. Pelo menos o Fluminense levou o título em cima dos “hermanos”.

Outubro de 2024; torcedores uruguaios começaram a mesma arruaça cisplatina, só que desta vez na orla do Recreio. Para se ter uma ideia do tamanho da impunidade até jogador uruguaio do Flamengo resolveu dar carteirada para “os cana” mas ao que parece não deu certo. 

São deboches, caretas, trânsito parado, motos e ônibus incendiados, uruguaios imitando macacos, tudo isso ao vivo em rede nacional. Se aplicar o mínimo da lei o crime hediondo ronda isso tudo. Mas estamos sob a guarda da polícia militar do Rio de Janeiro, mané! Resiliente com turista, só faltou a água de coco.

Mercosul de cú é rôla.

Tomemos de volta o Uruguai e terão que aprender a ler e escrever português em 6 meses senão morrem, chacina em toda a população do Paraguai e tomemos toda a riqueza da Argentina na mão grande como os europeus fizeram por anos.

Nunca houve harmonia entre os países, vamos parar de hipocrisia. A Guerra do Paraguai nunca acabou senhores, sejamos francos.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Zagallo, o odiado mais querido do mundo


Nunca gostamos de Zagalo. Aliás, dava muita alegria desgostar de Zagallo, o homem que "roubou" o emprego do comunista João Saldanha por obra e graça do ditador Medici, segundo se conta.

Mas os fatos nos obrigam a uma análise mais fria e justa.

O Velho Lobo foi o maior vencedor da história do futebol mundial. Das sete copas que participou, ganhou quatro (1958, 1962, 1970 e 1994), foi vice em uma (1998) e quarto lugar em outra (1974). Só não levou nada em 2006.

Além dos títulos, teve um papel audacioso e decisivo para montar a melhor seleção de todos os tempos, a brasileira de 1970.

Quando trocou o Edu, um ponta-esquerda clássico, pelo armador Rivelino e consolidou Tostão como falso centroavante - quase imitando o pivô do basquete -, fez uma revolução tática sensacional, com um time composto por quatro meias esplendorosos que atacava de forma compacta, com a bola no pé, e se defendia desde a intermediária do adversário.

O time de Saldanha era sensacional, claro, mas dentro de um tradicional 4-2-4 que poderia ter problemas com times europeus de marcação cerrada. O 4-5-1 de Zagalo, por sua vez, dominava o meio-campo, liberava Carlos Alberto para subir pela direita, alimentava Jairzinho o tempo todo (marcou em todos os seis jogos!) e dava show em todas as partidas, graças à concentração de talentos no miolo do jogo.

Zagallo merece maiores louros pelas mudanças que fez em 70, antecipando vários técnicos que depois fariam sucesso.

Só por isso deveria ser honrado como um dos maiores treinadores de todos os tempos.


TEXTO DE:
Thiago Muniz

domingo, 8 de outubro de 2023

Palestina livre

Desde 1948 os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, praticamente tudo.

Nos dias que se seguiram ao anúncio da criação do "estado judeu", mais de 700 mil palestinos foram expulsos de suas casas, mais de 200 vilarejos foram ocupados, saqueados e destruídos com inúmeras cidades esvaziadas.

Os crimes de Israel são acobertados pelos EUA, que lhes fornecem apoio político, dinheiro e armas para matar palestinos. Nos EUA entra governo e sai governo mas a política em relação a Israel é sempre a mesma. 

Pouco se fala na imprensa (e isso influencia na opinião publica: vide a quantidade de bandeiras de Israel em "solidariedade") que por décadas Israel vem promovendo uma política de limpeza étnica e apartheid contra palestinos, numa clara violação do Direito Internacional.

O que significa dizer Palestina Livre?
#freepalestine

Uma pátria sem segregação, sem perseguição religiosa e sem racismo; sim é possível, pois este são os sentimentos e a vontade do povo palestino.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Felipe Massa em Cheque

Felipe Massa decidiu; depois de 15 anos, reivindicar o título que perdeu na temporada de 2008 alegando sabotagem. Por meio de seu corpo jurídico já enviou notificações extrajudiciais as instituições que comandam a F1, que são elas: Federação Internacional de Automobilismo (comanda as regras esportivas e técnicas) e a Liberty Group (comanda os direitos comerciais).

Sabe o que vai dar isso? NADA!

Literalmente nada. Só será perda de tempo e dinheiro, por parte de Massa. 

O momento crucial para Massa ter tentado algo, seja por meios legais ou até uma tentativa de acordo era a temporada de 2009, ano seguinte ao escândalo quando Nelsinho Piquet; magoado por ter sido demitido da equipe Renault decidiu "vomitar" tudo o que aconteceu naquele pré e pós GP de Cingapura de 2008, onde ele foi, segundo Piquet, coagido a bater de propósito para beneficiar Fernando Alonso que tinha largado nas últimas posições, a ganhar aquele GP.

A moeda de troca para Nelsinho fazer tamanho asno era a promessa (cumprida!) de renovação de contrato para o ano seguinte. Em 2009 o escândalo foi feito, a Renault perdeu contratos de patrocínio, Flávio Briatore banido do circo da F1 e Nelsinho Piquet praticamente com as portas fechadas nas equipes, onde ele foi desbravar outros caminhos automobilísticos.

Reforço que Felipe Massa deveria ter agido com veemência naquele ano de 2009, estava tudo recente e no fogo da situação ele teria muito mais chances de pleitear algo.

Mas ele preferiu não fechar as portas, porque era isso que poderia acontecer com ele na medida que ele pleiteasse o título de 2008.

Ainda mais que Massa não perdeu aquele título naquele GP de Cingapura. Naquele mesmo GP, quando houve a batida de Piquet, Massa assim como todos do grid (exceto Alonso, que coincidência!) partiram para o pit stop, sendo que a Ferrari (equipe de Massa na época) errou grotescamente deixando presa no carro a mangueira de combustível.

Massa perdeu o seu título no GP da Hungria daquele ano, onde estava partindo para a vitória quando o seu motor Ferrari explodiu faltando poucas voltas para o fim da corrida. 

Portanto, o Massa fez uma temporada brilhante em 2008, ganhou o titulo por alguns segundos no último GP de Interlagos até o momento que Hamilton ultrapassou Timo Glock.

Massa merecia ganhar assim como Hamilton, pois aquela temporada foi de tirar o chapéu em termos de competição.

Mas o real campeão foi Lewis Hamilton. Não podemos ser pachequistas e não nos atentarmos aos fatos.

Em nada vai tirar os méritos do bom piloto que foi Felipe Massa, da carreira digna que ele fez na F1, poucos pilotos fizeram uma trajetória longuíssima como ele fez; junto com Barrichello foi os melhores pilotos brasileiros no pós-Senna. Massa tem que se largar desse passado e viver para frente.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

O Apocalipse Real e Atual

"Father, into your hands I commend my spirit..." (CHOP SUEY; System of a Down, 2001)


Vivemos num caos, onde num mesmo perímetro assisto uma pregação de um grupo neo-pentecostal enquanto metros a frente vejo um pitbull agonizando em estado pré-letal.

Vivemos no total abandono social e racial, onde quanto mais se alarma mais se vocifera o ódio com a certeza absoluta da impunidade. 

Vivemos no completo descaso público da inversão moral, onde vemos pessoas clamando por um prato de comida e um teto pra dormir com dignidade. Em vão. 

Vivemos no senso crítico da maldade gratuita, com pseudo-influenciadores destilando hostilidade com pessoas aleatórias na mais absoluta certeza da viralização virtual.

Vivemos no completo desânimo da pirâmide psico-social; com vertentes de ideias ressurgindo das margens do esgoto urbano. E o pior, angariando mais seguidores para o rito apocalíptico. 

Vivemos...


TEXTO DE:

Thiago Muniz

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Os Trapalhões


Quem viveu entre os anos 1975 e 1995, no Brasil, dificilmente se esquece de "Os Trapalhões".

O programa de humor foi ao ar, pela primeira vez, na TV Tupi em 1975, mas cerca de dois anos depois estreou na Rede Globo, onde ficou até ser encerrado. A atração era liderada por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, que protagonizavam esquetes de situações cotidianas recheadas de um humor pastelão que agradava às crianças e de tiradas ácidas que alcançavam os adultos.

O quarteto também foi um fenômeno nos cinemas brasileiros, tendo alguns de seus filmes atingido a marca de mais rentáveis de todos os tempos.

Eu associo Os Trapalhões com Os Beatles, era o quarteto com o encaixe perfeito no mais perfeito sincronismo artístico possível. Teve o auge mas também houve o declínio, principalmente a partir do primeiro falecimento trapalhão. Talvez tenha alcançado o ápice midiático pleno em sua época por dominar com louvor todas as plataformas disponíveis, principalmente no cinema e televisão, conquistou um público fiel e potencial consumidor da sua marca. Isso eles atingiram num período onde não existia o embrião do algoritmo da internet, e mesmo assim atingiu indicadores recordes de números insuperáveis nos dias de hoje. 

Renato Aragão foi a mente pensante dono da marca, o cara que colocava o capital investidor com os empreendimentos artísticos; então se colocava no direito de ser o protagonista célebre dos projetos, e isso é evidente no cinema e TV com as principais cenas e roteiros sendo direcionados para ele. Para existir "Os Trapalhões" em prática tinha que existir Renato Aragão porque era ele quem botava a cara a tapa na questão fator risco, porque todo e qualquer investimento há o risco. Poderia ter sido mais generoso com trio DEMUZA? Sim! Mas ele teve seus motivos para isso. Por tudo que contribuiu ao cinema nacional poderia ser melhor reverenciado, mas preferiu seguir o caminho da ocultação do Tik Tok, escolha são escolhas.

Dedé Santana veio da escola do circo e na engrenagem do quarteto soube com maestria aplicar a arte de ser o escada das piadas. Eu faço a analogia daquele brilhante meio-campo ofensivo que arma a jogada para o excelente passe ao atacante fazer o gol; esse é o artista Manfried Santana. Um grande ator que fez uma bela dupla com Renato Aragão e soube dirigir com maestria alguns filmes do quarteto.

Antonio Carlos Bernardes Gomes nasceu no morro da Cachoeirinha mas fincou raízes no morro da Mangueira, sua "terra natázis". Seu ofício artístico oficial foi na arte do samba como Carlinhos do Reco-Reco no famoso grupo "Os Originais do Samba" mas com sua vêia artística o fez ser batizado de Mussum por nada mais nada menos que Grande Otelo numa cena em plena Escolinha do Professor Raimundo, o que depois chamou a atenção de Dedé Santana que o convidou-intimou para integrar os Trapalhões. No começo relutou em largar o samba como seu ofício principal, mas chegou um momento da vida que o humorismo falou mais alto e bancou financeiramente a sua vida. Mesmo assim nunca largou o samba e a Estação Primeira de Mangueira, era um grande incentivador da educação e um dos co-fundadores do projeto Mangueira do Amanhã. Anos depois de sua morte se tornou uma marca cult para o grande público.

Mauro Gonçalves, o Zacarias; era o ator do quarteto, no bom sentido da palavra. Fez bons projetos antes da fama eterna mas só atingiu a fama nacional quando abraçou o papel de Zacarias. Caiu nas graças do grande público e principalmente das crianças, o que acabou agregando ao seu perfil discreto perante a mídia, e de fato ele era o mais recluso mas o seu carisma fazia com que todos o amassem, tanto é que a sua morte repentina em 1990 fez com que abalasse as estruturas e Os Trapalhões nunca mais foi o mesmo depois de sua passagem. Um brilhante artista que só é lembrado por quem de fato acompanhou essa época.

TEXTO DE:
Thiago Muniz

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Ali-Neymar e os 40 parças


Para inicio de conversa, Neymar deixou de ser garoto há muito tempo, desde que se tornou profissional. Somos protagonistas de nossas escolhas, independente se forem boas ou ruins. O Neymar tem consciência disso. Seja a saída conturbada do Santos, seja a saída voadora do Barcelona e agora praticamente um convite para se retirar do PSG.

Neymar é responsável pela sua imagem, e nestes últimos anos ele fez questão de não fazer um detox perante a opinião pública; ou ame ou odeie. É 8 ou 80. 

Um contrato de aproximadamente 90 milhões de euros com o Al Hilal vai torná-lo um jogador bilionário, vai encher a conta bancária maior do que já está. E pelas suas últimas atitudes públicas demonstradas em favor de um candidato explícito da extrema-direita, jogar futebol num país que não possui o mínimo respeito aos direitos humanos ao que parece não o abala. Vai para um país que nitidamente está fazendo uma lavagem de imagem para conseguir ser sede de Copa do Mundo. A Arábia Saudita copia os moldes de seu vizinho Catar, curiosamente dono do PSG, inimigos políticos mas nações comadres no quesito petro-business. A Liga Árabe condensada nos petro-dólares e com muitos craques oriundos da elite européia, ficará inflada e com bastante holofotes. Se isso será algo positivo para o mundo do futebol, só o tempo dirá. Essa movimentação árabe me lembra a movimentação pró-soccer na década de 70 quando simplesmente tirou Pelé da aposentadoria.

Neymar terá mais mansões megalomaníacas em seu patrimônio, jatos particulares para circular pelo mundo afora, festas profanas com seus parças e o que mais ele quiser da vida. Só não poderá voltar ao passado. E está tudo bem, afinal ele só receberia tudo isso em sua carreira se não tivesse algum dom no futebol. Mas que ele poderia ser maior do que é, isso poderia sim. 


TEXTO DE:
Thiago Muniz

sábado, 5 de agosto de 2023

Marlene Matos e Xuxa


Assisti ao quarto episódio do documentário da Xuxa no Globoplay. É um episódio praticamente focado numa conversa entre Marlene Mattos e Xuxa Meneghel. Um reencontro depois de 19 anos afastadas após um rompimento de uma parceria de quase 20 anos; muita estrada percorrida, muito status ganho, muito dinheiro recebido e claro, muitos desgastes acontecidos, até chegar ao rompimento.

Xuxa deixou bem claro que esperava que Marlene Mattos estivesse uma nova pessoa, achava que Marlene estivesse arrependida por atitudes do passado. E o que vemos no episódio? Marlene não abaixou a cabeça e a estima perante a narrativa de Xuxa. Marlene demonstrou um certo arrependimento em suas falas e declarações à Xuxa na discussão que resultou no rompimento total entre as duas, mas palavras são palavras, não tem como voltar atrás.

Sabemos que no final da história, perante a opinião pública a vilã da história acabou caindo nas costas da Marlene, afinal ela era avessa a imprensa, possuía uma responsabilidade imensa (diretora e empresária), tinha a missão de comandar uma equipe imensa em várias frentes de trabalho (TV, LPs, shows, CDs, DVDs...), criou padrões e sonhos que se tornaram obsessões para os fãs da Xuxa. Tudo isso se iniciou praticamente na incubadora da década de 1980, pré-final da ditadura militar numa emissora recém nascida como a Rede Manchete e depois migrou para o padrão de qualidade Globo. Se atualmente vivemos com o machismo no divã, criticando todos os passos e atitudes das mulheres, imaginemos como era a década de 80, onde a figura da mulher era tratada como um pedaço de carne. Marlene Mattos se viu obrigada a elevar o sarrafo tão alto que fez a Xuxa um mito para o seu público. E olhe que ela poderia ter sido maior do que é, mas não darei spoiler, assista ao documentário e vai entender.

A impressão que tenho é que Marlene foi a pessoa certas para assumir certas responsabilidades. Era a pessoa pra se sujar de lama, para desbravar no meio do mato para que Xuxa andasse pelas nuvens aos olhos dos fãs. Ela foi firme e rígida? Provavelmente sim, mas é como eu disse, o sarrafo estava lá em cima, e muitas pessoas aguentaram o tranco e assumiram suas responsabilidades.


TEXTO DE:
Thiago Muniz

sábado, 17 de junho de 2023

A Cúpula do Golpe Tabajara

Em algum dia pós-eleições 2022 - Palácio do Planalto - dia

Jair estava assistindo na TV o programa do Sikêra Jr comendo farofa com leite condensado sentado na cama de seu quarto.

Mauro Cid bateu na porta do quarto para entregar os comprovantes de depósito da Michelle, e disse que teve uma grande idéia.

Disse que já tinha um roteiro pronto formatado para o golpe mas disse que precisava da sua autorização para executar.

Jair disse que adorou a idéia mas que daria uma resposta sem antes se consultar com Malafaia e Queiroz e Mauro Cid disse que iria revisar tudo.

Jair pede para Mauro Cid comprar pelo Ifood 2 Big Mac para Carluxo que estava trancado no Gabinete do Ódio e Laura, a Fraquejada chora copiosamente enciumada.

Mauro Cid vai para o salão principal e digita no Whatsapp o plano para dissolver o STF e o TSE.

Ligou para o Daniel Silveira, Hélio Negão e Marcos do Val; disse para eles sobre o plano e que planejava sequestrar Alexandre de Moraes e deixá-lo em Rio das Pedras para sempre.

Do Val teve a grande idéia de jogar uma fake news para a imprensa para despistá-los enquanto o plano era executado.

Enquanto isso Jair assistia ao programa da Fontenelle entrevistando Flávio 01.

Michelle liga para Mauro Cid pedindo dinheiro para comprar cigarro, Mauro Cid alega estar ocupado fazendo serviço para Jair, ela esperneia e ordena que ele saque o dinheiro no caixa eletrônico da Granja do Torto.

Mauro Cid nega o pedido. Michelle fez uma queixa-crime num posto da Polícia Rodoviária e manda prender Mauro Cid por insubordinação, Jair sabe do ocorrido em manda Michelle calar a boca.

A família se reúne no Palácio do Planalto e jantam arroz com leite condensado.

Alexandre Garcia pede uma entrevista exclusiva para Eduardo Bolsonaro, que o xinga dizendo ser da Globo infiltrado, Garcia nega e jura amor ao coronel Ulstra.

General Heleno chega vestido de pijama com uma carta de referência de Donald Trump recomendando o Conde Francisco da Zanzibar y Zanzibar Hernandez para ser o futuro primeiro ministro caso o golpe fosse consumado, mas Jair fica obstante com a idéia dizendo que Zanzibar já dominava muito bem o estado do RJ e que pra dominar o restante do país seria um perigo.


TEXTO DE:
Thiago Muniz